País perdeu o ritmo das exportações
Antes da crise da aftosa, um em cada quatro bois eram exportados pelo Paraná. Hoje, apenas um animal em cada 40 é vendido para o mercado externo.
Vale lembrar que, em 2005, o Paraná exportou US$ 82 milhões em carne bovina. Um volume considerado normal para aquele ano seria US$ 90 milhões. A redução do montante financeiro foi provocada pelo surgimento dos supostos focos de aftosa no Paraná e Mato Grosso do Sul em outubro. Em 2005, o Brasil exportou US$ 3,74 bilhões.
Em 2006, o faturamento das exportações de carne bovina brasileira cresceu 28% enquanto, no Paraná, houve queda de 71%. No ano passado, o Estado teria que ter vendido US$ 110 milhões para o mercado externo e conseguiu atingir apenas US$ 24 milhões. No Mato Grosso do Sul, a queda das exportações em faturamento foi de 81% e, em Santa Catarina, de 54%. Por outro lado, as exportações do Rio Grande do Sul cresceram 100% em faturamento, de Minas Gerais 200% e de Goiás e Mato Grosso 150%. Para este ano, é esperado um crescimento de, no máximo, 10% das exportações brasileiras. O Paraná, deve continuar estagnado. Em 2002, o Estado já ocupou o segundo lugar no ranking de exportação de carne bovina no Brasil. Em 2006, caiu para a décima colocação.
Hoje, o Paraná e o Mato Grosso do Sul são totalmente dependentes da decisão da OIE para voltarem a exportar. Na reunião de maio da organização, será discutida apenas a situação de Santa Catarina que ''briga'' pelo reconhecimento como área livre sem vacinação.
Além dos reflexos da crise da aftosa, a carne bovina enfrenta outros problemas como a questão tributária - a guerra fiscal entre os Estados - e a perda de espaço utilizado para pecuária para culturas como cana-de-açúcar e milho.
Em 2006, o Brasil abateu 44 milhões de cabeças de bovinos e produziu 9 milhões de toneladas de carne, sendo que, deste total 28% foram exportados e 72% vendidos no mercado interno. Os principais destinos para exportação foram Rússia (20% do total), Egito (11%) e Reino Unido (8%). No ano passado, o Paraná abateu 2 milhões de cabeças de bois, produziu 590 mil toneladas e exportou apenas 2,7% do total produzido. Antes da crise da aftosa, 20% da produção era exportada. Os principais destinos de exportação foram Hong Kong (30%) do total, Rússia (15%) e Arábia Saudita (10%). A produção do Paraná que não foi exportada em 2006 ficou no próprio Estado e abasteceu Estados como São Paulo.
Fanaya lembrou que em 2006, o Brasil perdeu o ritmo das exportações. ''O País vinha em um ritmo de crescimento do faturamento das exportações. No ano passado, deveria ter crescido 30% em volume e 50% em faturamento. O Brasil não deve recuperar as exportações neste ano'', disse. (A.B.)





