PAIS otimiza espaço
As hortas circulares da Tecnologia Social PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) não caminham solitariamente na busca da sustentabilidade. O processo segue a tendência do sistema produtivo de orgânicos, um mercado promissor e em constante crescimento. Segundo dados do engenheiro agrônomo Aly Ndiaye, a demanda por produtos orgânicos cresce em torno de 40% a cada ano.
O sistema PAIS, entretanto, chega com um diferencial: a otimização de espaço, integrando culturas. O formato de mandala tem o objetivo de utilizar melhor a propriedade. Em produções tradicionais, onde as hortas são dispostas paralelamente, as pontas atrapalham um pouco e não há otimização, aponta Felipe Poleto, zootecnista e técnico da Fundação Ventura, um dos parceiros do PAIS.
Poleto, que vai prestar assessoria técnica para os interessados em implantar o sistema PAIS em Ribeirão Claro, destaca que é preciso ter disponível uma área de 5 mil metros quadrados aproximadamente. Com 1 mil metro quadrado já é possível ser feita a horta, mas quanto mais espaço maior a diversidade, frisa. O técnico explica que a disposição nesse modelo produtivo é simples: o galinheiro no meio para produção de carne e ovos folhas e tubérculos ao redor e ao lado o quintal ecológico (onde são plantadas as árvores frutíferas) e um espaço reservado para a compostagem.
É possível plantar qualquer tipo de folhas, tubérculos e frutas. Mas a ideia é aproveitar o que já existe em cada propriedade, observa Poleto, destacando a necessidade de se fazer um planejamento da produção para não ocorrer excessos de alguns produtos em detrimento de outros na mesma região. É interessante plantar coisas diferentes para que haja produtividade o ano todo. Na horta feita em Ribeirão Claro, por exemplo, foram plantados vários tipos de folhagens, mandioca, cenoura, milho, limão, laranja, banana, lichia, entre outras variedades. Nos espaços entre uma cultura e outra, a sugestão ainda é plantar ervas, como manjericão.
O sistema de irrigação, acrescenta o zootecnista, é feito por gotejamento, o qual ajuda a economizar água e energia. Além disso, poupa o produtor do trabalho de irrigação manual das hortas. A instalação da caixa dágua é feita pelo menos 3 metros acima da horta para que a irrigação seja feita por gravidade. A disposição dos produtos na horta também respeita uma regra: começa pelos que precisam de mais água. Na irrigação por gotejo não há desperdício e a água vai direto no pé da planta, observa o técnico.
Por fim, a compostagem serve para aproveitar todos os resíduos da horta desde folhas e frutas apodrecidas até o esterco das galinhas e transformá-los em materiais orgânicos utilizáveis na agricultura para a adubação das culturas e do quintal ecológico. Uma área da propriedade deverá ser destinada para compostagem que poderá ser feita a céu aberto.
Segundo o consultor do Sebrae, Odemir Campello, os produtores interessados podem procurar o órgão para obter mais informações. Ele adianta que o Sebrae tem disponível recursos na ordem de R$ 220 mil para os próximos três anos para capacitação. Ele adianta que os produtores também podem adquirir recursos de financiamento do Banco do Brasil, por meio do Pronaf, e também pelo Instituto Ventura para compra de equipamentos básicos. Além de Sebrae, Naps, Banco do Brasil e Instituto Ventura, também fazem parte do grupo gestor do PAIS em Ribeirão Claro, Emater e prefeitura municipal. (E.Z.)





