O País tem potencial não só para produzir mais trigo – com qualidade – como também de se transformar em exportador do cereal, defende especialista
O País tem potencial não só para produzir mais trigo – com qualidade – como também de se transformar em exportador do cereal, defende especialista | Foto: Marcos Zanutto



O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas, no caso do trigo, é também um dos principais importadores. O País recebe mais da metade do que consome, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e o principal fornecedor é a Argentina. Assim, o preço do grão nacional costuma seguir as tendências do mercado internacional, que enfrenta problemas de produtividade por problemas climáticos.

As importações de trigo pelo Brasil devem passar de 7 milhões de toneladas (t) nesta safra, conforme o relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), que reúne informações sobre a cultura em todos os principais países importadores e exportadores. A Argentina consome apenas um quarto do que produz e exporta o restante.

Com a frustração por problemas climáticos por lá e também no hemisfério norte, porém, a tendência é que o produto portenho seja disputado por mais compradores. "Eles (argentinos) devem aumentar a área plantada e só por isso nosso preço não subiu ainda mais", diz o analista da cadeia de trigo do Deral, Hugo Godinho, que considera essa uma época "nebulosa" para se discutir preços.

Mesmo assim, o analista sênior da consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, afirma que os preços para a safra já colhida estão acima da média em todo o País. Ele aponta que a menor rentabilidade, em Santa Catarina, já supera o custo em 5%. "No Paraná, chega a 21%, com valor pela saca de R$ 46. Em São Paulo, é de 69%, com R$ 65, e em Mato Grosso, 47% e R$ 56", cita.

Pacheco conta que muitos moinhos estão fechando contratos para entrega em novembro, com valores já definidos. "Para a nova safra, os valores também são altos, com rentabilidade em torno de 26% no Paraná. O preço é de R$ 48 por saca no posto de Ponta Grossa e de R$ 42 no Interior", diz. Ele cita que o lucro médio para quem aceita os contratos é de 16%.

Imagem ilustrativa da imagem País importa mais da metade do que consome



QUALIDADE E LIQUIDEZ
O consultor é um dos que considera que o País poderia produzir mais trigo e se transformar em exportador, como ocorre com a soja. "Os preços aqui são baixos porque o brasileiro não é incentivado a plantar os grãos de maior qualidade", diz Pacheco.

Ele conta que os moinhos pagam prêmios que chegam a 80% do valor da casa de 60 kg por grãos duros, próprios para a panificação ou melhoradores, na comparação com os de baixa qualidade, usados para produtos em que são adicionados outros sabores, como biscoitos recheados. "Por isso que o preço é baixo aqui, porque é difícil encontrar o grão com qualidade definida, segregação na armazenagem e com semente certificada. Hoje, Minas Gerais segue essa linha e tem o melhor trigo do Brasil", diz Pacheco. Ele afirma que parte do Paraná, principalmente mais ao Sul, opta pelo trigo macio, mas para garantir boas condições para a safra de verão, de soja.

Nas cooperativas mais ao Norte, predomina a produção de trigo duro. O gerente técnico da Integrada Cooperativa Agroindustrial, Irineu Baptista, afirma que somente reproduz a qualidade para pães ou melhorador, com segregação no recebimento. Isso porque é possível que chova no momento da colheita, o que reduz o valor da produção e gera a necessidade de separação em relação ao todo. "Nem falo que é tanto pelo preço, mas o trigo de boa qualidade traz muita liquidez, porque achamos comprador com facilidade", explica. (F.G.)

mockup