País importa 3 a cada 5 kg consumidos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de julho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

As reduções anteriores de área plantada no País se deveram a dificuldades de comercialização, aos baixos preços em safras imediatamente anteriores e aos riscos normais da cultura, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A opção pelo milho de segunda safra começa a ganhar corpo, ainda que também não conte com bons preços de mercado neste ano. Situação que chama a atenção de representantes da cadeia.
A manutenção da produção e adesão de produtores são fatores que, por exemplo, mantêm a pesquisa em andamento. O trigo brasileiro melhorou muito de qualidade nas últimas décadas e garante ótima produtividade, tudo com base em desenvolvimento técnico de cultivares. Assim, foi possível atender a demanda da indústria moageira paranaense.
Por isso, a Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Coodetec) promove a 11ª Reunião da Comissão de Pesquisa de Trigo e Triticale e o Fórum Nacional de Trigo entre os dias 25 e 27 deste mês, para buscar caminhos para fortalecer todos os elos da cadeia do grão. O evento será em Cascavel e é aberto a interessados.
O gerente de pesquisa de trigo Coodetec, Francisco de Assis Franco, defende que a cultura tem muito o que crescer no Estado e no País, mas que é preciso organização de demandas de produtores e da indústria. Para ele, o fortalecimento do setor favorece a todos. "O Paraná foi um dos primeiros estados que melhoraram a qualidade do trigo e isso beneficiou, e muito, a indústria de derivados de São Paulo", exemplifica, ao citar que o trigo moído no Paraná abastece a fabricação de derivados no vizinho.

Para Franco, a retomada de políticas governamentais de incentivo permitiriam a diluição de custos de culturas, a elevação de renda, o fortalecimento da indústria e aumento de uso de mão de obra, o que se reverterá em mais arrecadação estadual e federal. "Se o Brasil tiver uma política governamental favorável para a cultura, programas de melhoramento investindo em mais e melhores cultivares e um diálogo próximo entre produtores e a indústria, essa conta poderá fechar e render resultados surpreendentes para o País, estimulando o incremento de área também no Brasil Central."
O gerente da Coodetec aponta o uso do Prêmio para o Escoamento de Produto (PEP) como um exemplo de ação que dá resultado. "Sabemos que o governo está sem recursos para investir, mas tem de pensar em gerar estabilidade. Tempos atrás houve redução da taxação na produção e isso representou mais rentabilidade a todos."
Por outro lado, o coordenador do departamento econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, afirma que a viabilidade da cultura não é uma unanimidade. Ele aponta que é preciso atualizar o zoneamento agrícola para o trigo, que leva em consideração os períodos de seca e deixa em segundo plano os riscos com excesso de chuvas. "Se o produtor perde duas safras em dez, faz parte do jogo, mas temos municípios em que se perde cinco em dez", diz. "Eles mantêm o plantio apenas pela questão agronômica do solo, porque a maior produtividade da soja acaba pagando a conta do trigo."
Loyola considera ainda que a concorrência dos países do Mercosul também é um impeditivo, porque as margens de lucro brasileiras desaparecem mesmo com as menores quedas de preço. Também diz que o sistema de armazenagem nacional é defasado, com baixa capacidade de segregação de grãos de qualidade para pães e para ração. Em caso de chuva durante parte da colheita, o agricultor acaba por prejudicar toda a safra. "As plantas do Paraguai têm cinco anos, então eles têm essa possibilidade que nós não temos", conta.
O alto risco da triticultura também assusta. Pelo risco de chuvas e geadas, o economista da Faep conta que as taxas de risco de seguros chegariam a 30%, o que inviabilizaria tanto o pagamento individual quanto o subsídio federal. Por isso, alerta que não é possível falar em aumentar a produção de qualquer maneira. "Por outro lado, é bom que isso seja debatido, desde que com responsabilidade."



