Brasília - Uma nova tecnologia com capacidade de controlar as pragas em produtos de origem vegetal sem alterá-los poderá ser utilizada em breve pelo Brasil. Trata-se da irradiação ionizante, método que consiste em irradiar fontes de energia de elétrons, uma espécie de luz capaz de eliminar as estruturas de pragas, insetos, ácaros, bactérias e até de vírus.
A proposta de Instrução Normativa que vai regulamentar o uso da irradiação ionizante foi discutida em uma reunião realizada no início da semana pelo Ministério da Agricultura. Participaram do encontro representantes do Conselho Nacional de Energia Nuclear (Cenen), do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
O coordenador da fiscalização do trânsito de vegetais do ministério, Fernando Costa, disse que o método será utilizado como ''tratamento fitossanitário para fins quarentenários'', ou seja, apenas para a eliminação de pragas que possam causar danos aos produtos exportados e importados. Caso seja aprovada, a irradiação será usada nas operações de comércio exterior realizadas nos portos e aeroportos do país.
''Esse tratamento é um mecanismo eficaz que o governo tem de evitar a entrada de pragas no país. Nós já temos aqui outros tratamentos e outros mecanismos que fazem o retardamento ou impedem a disseminação das pragas entre as unidades da federação'', disse Costa. Ele explica que cada fruta e cada praga utilizam dosagens diferentes de irradiação. O método mata a praga ou a deixa estéril, ou seja, sem a capacidade de se reproduzir.
De acordo com o coordenador, diversos países utilizam o método para controlar as pragas em vegetais. A vantagem, segundo ele, é que a irradiação não deixa resíduos no produto, caso seja usada nas dosagens recomendadas. O mesmo não acontece quando são utilizados agrotóxicos, por exemplo.
O benefício tem um preço elevado: a tecnologia costuma ser cara, pois necessita de equipamentos modernos e também de pessoas treinadas para efetuar o controle de segurança do processo. ''É realmente uma tecnologia avançada para o Brasil e vai requerer que haja desenvolvimento tecnológico das pessoas que lidam com isso'', diz Costa.
Segundo ele, a nova tecnologia criará espaço para o Brasil ter acesso a novos mercados, principalmente de frutas frescas. Uma das frutas que poderão se beneficiar com o processo é a manga. Costa afirma que, somente em 2005 o Brasil exportou 115 mil toneladas da fruta para o mercado internacional, o que rendeu ao país US$ 76 milhões.

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