País é o segundo maior em área plantada
Com números bem similares aos apresentados pela Céleres, o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA sigla em inglês) divulgou no final do mês passado um relatório que coloca o Brasil como o país que mais evoluiu no plantio de transgênicos. Em área de cultivo ocupamos o segundo lugar,com 36,5 milhões de hectares, atrás apenas dos Estados Unidos, com 69,5 milhões de hectares. Já a ampliação das culturas geneticamente modificadas foi de 44% nas últimas três safras. O Canadá, apesar de possuir uma área de lavouras geneticamente modificadas de apenas 10,8 milhões de hectares, foi o segundo que mais cresceu: 22,7%. A China vem logo atrás, com alta de 14%, seguido dos Estados Unidos e Argentina, ambos com 4% (veja o quadro).
De acordo com o relatório, entre os aspectos que contribuem para o bom desempenho do Brasil no que se refere à adoção das cultivares geneticamente modificadas, estão o sistema regulatório estável e rigoroso, sementes adaptadas às diferentes realidades do País e o investimento em pesquisa. Dados da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) mostram que atualmente 36 eventos agronômicos transgênicos estão aprovados para consumo e plantio no País, sendo cinco variedades de soja, 18 de milho, cinco de algodão e uma de feijão, essa última desenvolvida pela Embrapa e resistente a um vírus (ainda não comercializada no mercado).
Segundo a diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Adriana Brondani, o crescimento no Brasil é o maior do mundo por dois fatores. "O primeiro deles é que ainda temos uma área de plantio muito grande a ser explorada. Além disso, a adoção dos transgênicos foi muito bem aceita no agronegócio brasileiro. O agricultor reconheceu os benefícios dessa tecnologia", avalia.
A diretora do CIB salienta também que os critérios de segurança para a liberação de novos produtos em território nacional são extremamente rigorosos. "O sistema regulatório brasileiro é muito bem consolidado e, em comparativo a outros países, mais exigente. Somos modelo neste sentido e prezamos muito pela segurança do meio ambiente, saúde humana e animal."
Para o futuro, a especialista acredita que a combinação de genes em uma só semente será muito utilizada. Além disso, ela indica que uma variedade transgênica de cana-de-açúcar resistente à seca deva surgir por aqui, o que fará o Brasil dar mais um passo na aproximação aos Estados Unidos em relação à área de plantio de transgênicos. Adriana diz também ser importante o investimento em sementes modificadas para culturas locais. Enquanto o Brasil atua somente com milho, algodão e soja, os americanos já plantam outros produtos como canola, abóbora, mamão-papaia, alfafa e beterraba. "Para isso, é preciso investir nos centros de pesquisa brasileiros, como acontece com a Embrapa", conclui. (V.L.)






