A avaliação que pecuaristas e técnicos fazem de 2002 é que a pecuária teve um ano de resultados expressivos. No mercado externo consolidou importadores e parte, agora, para estender seu raio de ação.
Segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), até novembro foram embarcadas 852,62 mil toneladas equivalente carcaça, com expectativa de fechar o ano em 950 mil t, superando, pela primeira vez, a barreira do US$ 1 bilhão em faturamento. Confirmados esses números, o volume exportado em 2002 será 17% superior ao embarcado em 2001, novo recorde.
Para o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, apesar do recuo do preço da tonelada exportada no mercado internacional, a forte valorização do dólar garantiu o lucro das plantas exportadoras.
''Em 2001, o Brasil aproveitou-se dos problemas sanitários (febre aftosa) de seus principais concorrentes, Uruguai, Argentina e União Européia (UE), para crescer no mercado internacional e consolidar-se como terceiro maior exportador de carne bovina do mundo. Isso exportando apenas ao redor de 13% do total da carne aqui produzida.''
É verdade, admite Tito Rosa, que a ''sorte esteve ao nosso lado, porém somente com muita eficiência e competitividade foi possível cobrir, de 'bate-pronto', um 'rombo' tão grande.''
Na opinião do analista, 2002 foi ano de trabalho, de promoção, de marketing para a pecuária brasileira. O Governo Federal lançou juntamente com a iniciativa privada o Brazilian Beef, programa para promover a carne bovina no exterior. Segundo a direção do projeto, já foram empregados R$ 5 milhões. Dentre os trabalhos realizados, está o aumento da participação de frigoríficos brasileiros em feiras internacionais.
China e Arábia Saudita foram dois dos países que voltaram as suas atenções à carne bovina brasileira; assim como os Estados Unidos, cujo rebanho vem diminuindo ano a ano, enquanto o rebanho brasileiro está em franca expansão.
O Brasil, segundo Tito Rosa, vem ganhando espaço e já preocupa a Austrália (maior exportador mundial) em mercados como as Filipinas. ''Enquanto novas portas vão sendo abertas, as já existentes vão crescendo, uma vez que o medo da encefalopatia espongiforme bovina, 'vaca louca', está diminuindo. Justamente como ação preventiva, a União Européa, que absorve 50% de toda carne brasileira, exigiu de seus fornecedores a certificação do produto.''
O governo brasileiro, para atender a determinação, criou o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina - SISBOV. Tito Rosa concorda que, apesar dos entraves do sistema, a medida ajuda a promover a carne brasileira, ''que passa a ser considerada segura, além de magra, verde. Mas ele lembra que requisitos como homogeneidade, padrão, qualidade, segurança alimentar, cumprimento de prazos, são fundamentais para que o Brasil possa se manter competitivo no mercado internacional.

mockup