Produtores de milho, que comemoram uma situação bastante favorável, podem se beneficiar também da produção agrícola norte-americana, que deve substituir lavoura de milho pela soja. De acordo com o analista de mercado Paulo Molinari, os EUA este ano devem ampliar área de soja, cujo estoque é um dos mais baixos dos últimos anos - 4,2 milhões de toneladas ante as 15,2 t de 2006/07. ''Se mantiverem a área atual, os americanos correm o risco de ter que importar soja para atender a demanda interna'', avalia.
O milho brasileiro está ocupando um espaço privilegiado aberto quando os Estados Unidos decidiram destinar sua produção ao etanol e vive hoje uma situação inusitada. ''Há algum tempo, o milho era uma cultura de baixa liquidez quando a safra era grande'', afirma Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Atualmente, o preço da saca ao produtor, que em 2006 era R$ 12,67, está entre R$ 21,00 e R$ 22,00.
Na disputa pelos compradores externos, o milho brasileiro tem como vantagem adicional o fato de ser convencional, que atende a preferência, principalmente dos países europeus. ''Nosso produto tem sido bem remunerado e já existe um bom volume já exportado este ano'', informa Turra, acrescentando que algumas empresas já têm contratos de comercialização de 30% do total disponível ao mercado externo. O técnico afirma que o Brasil está preparado e tem atendido a demanda internacional com qualidade, o que pode ser determinante para a consolidação e abertura de novos mercados.
Os números comprovam o bom desempenho e o potencial do produto brasileiro. Em 2007, foram comercializadas no exterior 10.700 toneladas. Neste ano, a estimativa é de que sejam exportadas entre 10 e 12 milhões de toneladas, números bem acima da média de 4 milhões de toneladas de dois anos atrás.
De acordo com dados da Ocepar, em 2006 foram exportadas 3,9 milhões de toneladas; em 2005, foram 1 milhão; 2004, 5 milhões; 2003, 3,5 milhões; 2002, 2,7 milhões; e 2001, 5,6 milhões. (R.C.)

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