Ter ciclos reprodutivos regulares, garantir nascimentos na época adequada e também selecionar um período fixo para a realização da estação de monta são algumas das vantagens do sistema de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF). O assunto será um dos destaques do II Simpósio de Eficiência em Nutrição Animal, que acontece durante a ExpoLondrina. De acordo com Marcelo M. Seneda, professor de medicina veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o IATF vem crescendo muito no Brasil. O especialista explica que o objetivo desta técnica é tornar o rebanho mais eficiente por meio da padronização do seu ciclo reprodutivo. ‘‘Em vacas zebuínas, por exemplo, as fêmeas entram e saem do cio muito rápido’’.
  Com a padronização do ciclo por meio do controle hormonal, segundo ele, não será mais preciso verificar se a fêmea está ou não ciclando. Seneda observa que a primeira etapa de implantação do sistema de IATF começa verificando se os animais estão ou não com o corpo lútil - estrutura do ovário onde ocorre a ovulação - formado. ‘‘Caso o resultado seja positivo, quer dizer que o animal está ciclando’’. Seneda explica que essa verificação acontece no primeiro protocolo ou na primeira passagem pelo tronco. ‘‘O próximo passo é a realização do controle de crescimento folicular por meio da aplicação de dois hormônios (estrógeno e progesterona)’’. O professor completa que essa intervenção vai interromper o ciclo da fêmea. ‘‘Depois de quatro dias, um novo crescimento foliar irá acontecer e, a partir daí, padroniza-se o ciclo do rebanho’’, sublinha.
  ‘‘Com sete dias, o novo folículo já pode ovular’’. Seneda destaca que o objetivo é fazer com que as fêmeas entrem no cio praticamente todas ao mesmo tempo. O especialista acrescenta que quando isso acontece, as vacas recebem um indutor de ovulação. ‘‘Depois de retirado esse implante é que a fêmea é inseminada em sua última passagem pelo tronco ’’, observa.
  Seneda aponta que com essa técnica, além de não ser preciso verificar o cio, é possível estabelecer o período certo da estação de monta e também elevar a taxa de prenhez do rebanho em até 50%. ‘‘O pecuarista também pode definir quais serão os períodos de nascimentos, desmamas e também os abates’’, completa. O especialista revela que o custo desse sistema fica em torno de R$ 30 por animal a cada etapa realizada. Geralmente, o mínimo de passagem pelo tronco é de quatro vezes.
  José Carlos Romanelli, criador de gado na região de Cambé, apostou no sistema IATF e hoje colhe bons resultados. ‘‘Com técnica ganhei animais mais precoces e habilidade materna’’. O criador afirma que o uso da tecnologia, agregada a uma boa sanidade e nutrição, possibilitou a ele ter um rebanho com uma taxa de prenhez de 65%. (R.M.)

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