A compra de um equipamento fora do padrão pode ser fatal para a atividade leiteira. ‘‘Já é difícil para o produtor fazer investimentos e se ele compra um equipamento fora das normas, dificilmente poderá investir novamente na compra de outro equipamento,’’ admite o veterinário José Garcia Pretto, diretor industrial da Bosio Ordenhadeiras de Londrina.
Pretto foi um dos instrutores do curso sobre uso correto e dimensionamento de equipamentos de ordenha, realizado no último final de semana em Londrina, para treinamento de técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de todo o Paraná. Os veterinários do Senar deverão reproduzir esse treinamento para cerca de mil produtores de leite de todo o Estado, durante o ano. Além do treinamento esses técnicos poderão fazer um diagnóstico de equipamentos com problemas e orientar as soluções.
O treinamento faz parte de uma parceria do setor privado para garantir que os produtores possam gerenciar sua atividade dentro das normas exigidas pelo Ministério da Agricultura, já enquadradas no Programa Nacional de Modernização e Qualidade do Leite. As exigências de normas para equipamentos estão em vigor desde dezembro do ano passado.
Momento difícil
A preocupação é alertar primeiro os técnicos e por consequência os produtores sobre a compra e o uso correto de tanques resfriadores, ordenhadeiras, entre outros equipamentos; especialmente agora num momento de crise do setor, quando os investimentos devem ser bem dimensionados a fim de evitar prejuízos ainda maiores para a atividade.
José Garcia reconhece que atualmente o produtor tem enfrentado dificuldades para investir na atividade. Com preços para o leite que não cobrem os custos de produção o produtor enfrenta também burocracias para conseguir linhas de crédito a fim de investir na renovação dos equipamentos, mas lembra que as próprias empresas têm oferecido linhas de crédito para o produtor. Há também os créditos do Proleite, via Governo Federal e, no caso do Paraná, linhas de crédito proveniente de programas como o Paraná 12 Meses que podem ser viabilizadas para associações de produtores.
Prejuízos do uso incorreto
De acordo com José Garcia o uso de equipamentos bem dimensionados, dentro da normas técnicas, pode aumentar a produtividade e a qualidade da produção leiteira da propriedade, ‘‘elevando também a lucratividade do produtor.’’
O uso dos equipamentos mal dimensionados para a ordenha de animais pode provocar, por exemplo, queda na produção entre 20% e 40%. Um exemplo de prejuízo, segundo Pretto, está no uso da bomba de vácuo mal regulada: ‘‘Quem extrai o leite de dentro do úbere da vaca é o vácuo, que é produzido por uma bomba. Muitos fabricantes de equipamentos no Brasil, na ânsia de ter preços competitivos no mercado, oferecem produtos sem capacidade de extrair todo o leite do úbere do animal.’’
A consequência da bomba de vácuo mal regulada é uma sobra de leite dentro do úbere da vaca. Essa sobra pode provocar a mastite, uma doença que traz queda acentuada na produção e prejuízos diretos para o produtor.
Na indústria
A indústria também sofre as consequências do mau uso de equipamentos de ordenha. O leite proveniente de rebanhos com alto índice de mastite, por exemplo, tem baixo rendimento na fabricação de derivados. Para o consumidor o reflexo é um produto com menor tempo de validade. Há também prejuízo na composição do leite em valores nutritivos.
Por isso o produtor deve estar atento ao investir na compra de equipamentos e também no manejo dos mesmos durante a ordenha dos animais. É importante buscar orientação de um técnico que tenha conhecimento sobre o assunto.
Outro problema está na manutenção preventiva dos equipamentos de manejo que normalmente não é feita. Tanto o produtor como o técnico que dá assistência à propriedade têm que ter em mente que o equipamento de ordenha é mecânico, mas age sobre um ser vivo: a vaca. Qualquer problema no equipamento trará reflexo direto na vaca.

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