Pacto pelo futuro da Mata Atlântica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de maio de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Restauração e preservação são palavras comuns em discussões e reflexões sobre o futuro do planeta, termos que têm que ser traduzidos em ações concretas para surtir algum efeito. Uma dessas ações visa um dos mais importantes biomas do planeta e reúne mais de 50 entidades, que lançaram em abril o Pacto pela Preservação da Mata Atlântica. O fórum tem a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050, que representam 10% do bioma.
A ação concreta de preservação parte de um levantamento realizado nos últimos dois anos por especialistas de diversas entidades que atuam no bioma, que definiu áreas potenciais de restauração da Mata Atlântica, que somam 15 milhões de hectares. A meta será alcançada por meio de uma ação coletiva para disseminar informações sobre técnicas de restauração florestal. Entre os objetivos está a identificação de projetos desenvolvidos no bioma, para melhorar a qualidade e aumentar sua eficácia. ''E importante conhecer as experiências bem-sucedidas e saber de onde estamos partindo'', diz Miguel Calmon, coordenador-geral do Conselho do Pacto.
O pacto conta também com o suporte da tecnologia. ''As áreas potenciais e as experiências de restauração estão todas georreferenciadas'', explica Calmon. Além disso, o histórico da restauração da Mata Atlântica dos últimos anos está compilado num referencial teórico que vai embasar as ações do grupo.
''A perda de cobertura florestal e a fragmentação dos remanescentes comprometem a biodiversidade e os serviços ambientais da Mata Atlântica. É necessário reverter o processo de degradação e começar um amplo programa de recuperação dessa floresta'', argumenta o coordenador.
A questão, que é multifacetada, exige um olhar ampliado. Segundo Calmon, a restauração florestal deverá estar associada a outras ações, como a criação de Unidades de Conservação, mosaicos e corredores de biodiversidade, a promoção do uso sustentável dos recursos naturais e a eficácia de instrumentos de fiscalização e controle. ''O pacto contará com uma rede de colaboradores, projetos, associações, redes de sementes, comunidade e indivíduos comprometidos com a questão'', diz Calmon.
''Somente assim será possível manter vivo este bioma, que garante o abastecimento de água para quase 130 milhões de pessoas, além de ser um dos maiores repositórios de biodiversidade do planeta'', diz Calmon.
O pacto pela restauração conta também com o suporte da internet. O site www.pactomataatlantica.org.br traz todas as informações sobre o assunto e abre a possibilidade do cadastramento das ações desenvolvidas no bioma.
A primeira ação é a definição do plano de trabalho do grupo, o que deve ocorrer nos próximos três meses. Nesse período, podem haver novas adesões de experiências e será definida a meta para o primeiro ano. Calmon explica que as metas serão definidas anualmente.
O pacto pretende, ainda, realizar eventos regionais para garantir a adesão de atores locais, promover cursos e treinamentos para a capacitação em restauração florestal nas principais regiões da Mata Atlântica e o estímulo à formação de centros de excelência em reflorestamento e serviços ambientais. Além disso, também está prevista a criação de um fundo privado para apoiar as ações diretas de restauração e garantir a sustentabilidade.®MDNM¯ O pacto irá estabelecer parcerias com os governos estaduais, municipais e o federal.


