Marcos Zanatta
De Maringá
Para garantir a retomada do desenvolvimento do setor sucroalcooleiro, governo, produtores e trabalhadores firmaram um pacto pela manutenção do emprego na semana passada em Maringá. A proposta é garantir a manutenção da atividade industrial, mantendo os 75 mil empregos diretos gerados pela cana apenas no Paraná. Mais de 65 mil apenas no setor agrícola. ‘‘O segmento de álcool e açúcar é o que mais emprega no Estado’’, afirma o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Ele lembrou ainda que os dois produtos representam 8% do ICMS do Estado. ‘‘O setor puxa os agronegócios’’, garante.
A produção do álcool combustível, compara Meneguette, representa uma economia de US$ 1,9 bilhão por ano para o país quando deixa de importar petróleo. Além de US$ 1,6 bilhão de divisas que entram no Brasil com a exportação de açúcar. O país é hoje o maior fornecedor de açúcar do mundo. Ele compara que o governo, desde a criação do Proálcool, investiu US$ 12 bilhões no setor, mas teve um retorno de US$ 35 bilhões com a economia gerada na substituição do combustível. ‘‘Mas não é só isso’’, afirma o dirigente da Faep.
Ele lembra que o setor como um todo emprega mais de 500 mil trabalhadores indiretamente no Estado, e garante a preservação de uma extensa área de arenito, onde se concentram as lavouras de cana. ‘‘Na região Noroeste a cana consegue manter a exploração agrícola preservando o solo, propenso à erosão’’, lembra. A cultura, diz Meneguette, gera empregos na região de pecuária e equilibra o meio ambiente. ‘‘Queremos manter viável um bom negócio’’, disse.
O secretário de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Antônio Leonel Poloni, garante que o governo está fazendo sua parte na manutenção do setor sucroalcooleiro. O Estado tem duas propostas básicas. A primeira é de incentivar a modernização de todo segmento industrial, e em seguida dar apoio às reivindicações dos produtores junto ao governo federal. Ele conta que junto com a Faep a Seab traçou um quadro da situação das indústrias, que foi levado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para o estudo de uma linha de financiamento especial.
O apoio às reivindicações a nível federal, deixa claro o secretário, não se limitam a técnicos acompanhando os empresários. ‘‘Também estamos adotando a frota verde e prestando toda assistência na melhoria das lavouras no campo’’, disse. O governo, segundo Poloni, precisa ver no álcool combustível um produto de futuro, que vai se tornar competitivo e ocupar um lugar de destaque nas exportações. ‘‘Mas antes é preciso apoio a nível interno ao produto’’, afirma. Para isso, completa o secretário, é preciso retomar as pesquisas para melhorar a tecnologia do carro a álcool, que segundo ele tem muito a avançar.
Para o secretário adjunto da Secretaria de Agricultura de São Paulo, Lourival Carmo Monaco, a reação do álcool combustível é uma questão social. Ele diz que só em agosto a indústria produziu mais carros a álcool que durante todo o ano passado. ‘‘São empregos não apenas no campo ou na usina, mas em todo segmento’’, comemora. Ele compara ainda que a reação do álcool está melhorando até o mercado de açúcar, que vem apresentando reação no preço. ‘‘Fechamos um acordo em São Paulo para que todo agronegócio do setor tenha retorno’’, diz.
O pacto firmado entre governo, indústrias, entidades e trabalhadores paulistas inclui 66 medidas amplas, mas que podem ser resumidas em três pontos. Segundo Monaco a proposta é manter o nível de emprego e geração de rendas, preservar o meio ambiente e ampliar a produção para atender a demanda crescente. ‘‘Apostamos que a melhora que o álcool combustível vem apresentando nas últimas semanas se mantenha com as medidas adotadas’’, diz.

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