Auxiliar de serviços gerais de uma fazenda de Rolândia, José Maria dos Santos, 31 anos, só foi saber que havia sido picado por uma cobra três dias depois, quando foi levado para o HU. Ele estava passeando na fazenda com o pai, no último domingo. Sentiu uma pressão na perna, viu que sangrava um pouco, mas achou que tinha arranhado em algum galho.
Como a perna começou a ficar roxa perto do ferimento, ele ficou preocupado e, no domingo mesmo, procurou um hospital de Rolândia. ''A enfermeira logo disse que achava que era picada de cobra. Mas o médico falou que não, que eu tinha arranhado a perna.'' Santos recebeu uma receita de antibiótico e foi para a casa.
Na manha seguinte, viu que a mancha roxa só aumentava e procurou o posto de saúde. Foi mandando novamente para o hospital e permaneceu internado em Rolândia. Como os exames apontavam deficiência na coagulação, ele foi encaminhado ao HU. Mas isso só na quarta-feira. ''Não senti dor nenhuma'', contou.
Logo que foi recebido no HU pelo médico Tercílio Turini, ele recebeu a confirmação de que havia sido picado por uma jararaca. ''O sangue estava incoagulável'', contou o médico. O trabalhador recebeu soro antiofídico e permaneceu internado para observação. ''Normalmente, a picada de jararaca causa inchaço local e sangramento. Já a cascavel provoca um quadro neurológico e também insuficiência renal'', explicou Turini, apontando para a perna do paciente totalmente roxa e bastante inchada.
Santos garante que sempre usa bota e que na hora do acidente estava com o calçado. ''Deve ter sido uma cobra grande que o pegou quase no joelho, acima da bota. Por isso, é importante também, além da bota, o uso de caneleira'', disse Turini, se referindo a um equipamento de proteção que vai da canela até acima do joelho. (N.B.)

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