Ovinos deixam bom lucro na Fazenda Água Morna
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Cláudia Barberato<br> 
O médico Herculano Braga Filho, de Londrina, é criador de ovinos há seis anos. A atividade foi iniciada, segundo ele, para atender a um desejo pessoal. ''Gosto muito da carne e tinha dificuldade de encontrar o produto e, quando encontrava, muitas vezes, não tinha a qualidade que eu desejava,'' afirma.
Da produção para consumo próprio à produção comercial foi um passo: o médico procurou conhecimentos exigidos para obter bons resultados na atividade. ''A criação não é tão simples. Os ovinos merecem muitos cuidados e o sucesso na atividade depende do manejo e controle sanitário que se dá ao rebanho.''
Na Fazenda Água Morna, em Bela Vista do Paraíso, Herculano tem bovinos e caprinos, duas criações que estão consorciadas aos ovinos. O rebanho de ovinos tem 900 cabeças e uma produção média de 600 cordeiros por ano. Os animais são abatidos por volta dos cinco meses de idade, época em que é possível atender ao desejo do mercado que pede uma carne rosada, de qualidade, maciez e sabor especiais, segundo o criador.
Os ovinos são criados a pasto e presos somente de noite quando recebem uma ração à base de resíduos de soja, milho, ou outro subproduto. ''O que for mais barato,'' garante o médico.
Bovinos, ovinos e caprinos, possibilitam o uso mais racional da pastagem, afirma Herculano, que conta com apoio da mulher Marisa dos Reis Braga para a condução da atividade.
Segundo ele, os animais não competem na procura por alimentos. O boi come o pasto a uma altura de 15 centímetros; os ovinos a 5 cm, e os caprinos são um tipo de ''limpadores'' da área, comem pequenas plantas que crescem na pastagem.
Outra vantagem de criar as três raças é o controle de verminoses nos animais. ''Vermes que estão no solo e poderiam infestar os ovinos. No entanto, se ingeridos pelo boi, passam pelo sistema digestivo deste sem causar problemas.''
Por enquanto, das atividades mantidas na fazenda Água Morna, a bovinocultura e a ovinocultura competem em rendimentos, mas o médico espera fazer da criação de ovinos a principal fonte de lucro. A dificuldade, segundo ele, está em conseguir matrizes e reprodutores. Não existem muitos animais de boa genética disponíveis para a compra.
Depois do nascimento do cordeiro, para atender o que o mercado pede, é feito o abate até os 120 dias ou quatro meses de idade com peso de 30 a 35 kg. Com essas características o criador pode conseguir bons preços pela carne, afirma Herculano. Para ele, a atividade pode ser mais lucrativa que a produção de carne de bovinos. ''É só fazer as contas.''
O pecuarista recebe R$ 54 pela arroba do boi, enquanto a arroba do ovino vale em média R$ 120, afirma Herculano. No entanto, alerta, a criação de ovinos é mais trabalhosa e o custo de produção é 20% superior ao da criação de bovinos. ''Mas ainda sobram cerca de 30% de margem de lucratividade se compararmos as duas atividades.''
De acordo com o médico, a criação de ovinos pode ser uma boa alternativa para viabilizar renda em pequenas áreas, ''que hoje estão sendo engolidas por grandes produtores para o plantio de soja.''
O pequeno agricultor, mesmo plantado soja, pode não ter a rentabilidade desejada, é melhor partir para a diversificação, orienta o médico e criador. Ele reconhece que durante muitos anos a ovinocultura foi e ainda é considerada uma atividade secundária nas propriedades. ''Mas é o único produto que tem comprador e não tem fornecedor.''
A demanda pela carne é crescente e não há produção para antender, garante o presidente da Associação Paranense de Criadores de Ovinos (Ovinopar), Hamilton Mello. Segundo ele, a ovinocultura pode ser desenvolvida em todo o Estado. O Paraná fica estrategicamente perto de grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro. ''Mas é preciso profissionalizar a atividade.''
Nada impede, avisa Hamilton Melo, que a produção de ovinos seja consorciada com a de bovinos, mas a atividade também deve ser administrada como negócio. Ele reconhece que há dificuldades na associação dos produtores, integração e troca de informações, entre outros fatores, que poderiam facilitar a comercialização do produto em conjunto.
O rebanho atual do Paraná, de acordo com Mello, é de 500 mil cabeças. ''Se multiplicasse por seis não daria para atender toda a demanda.'' Segundo ele, tudo que se produz é vendido.
Hamilton Mello insiste que o produtor de ovinos atualmente, aquele que produz com qualidade, não tem problema de comercialização. Grandes redes de restaurantes e supermercados procuram pelo produto junto a Ovinopar. ''Em Guarapuava, por exemplo, onde está o maior rebanho do Paraná (15 mil cabeças), mal se consegue atender o mercado local. Por isso é preciso organizar a produção, ter qualidade e constância para atender ao interesse.''
Para obter qualidade e, consequentemente, lucratividade, é necessário manejo correto dos animais e uma boa seleção, lembra Mello. ''Não existe milagre,'' concorda o criador Herculano. Segundo ele, já houve muitos casos de pessoas iniciarem a criação de ovinos, sem conhecimento ou orientação, e quando não dá certo ''ficam falando mal da atividade.''


