Ovinocultura
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sábado, 03 de fevereiro de 2007
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A 1ªFesta do Carneiro Grelhado de Tamarana, prevista para a primeira quinzena de novembro deste ano, deve marcar o início da expansão da produção e comercialização da carne de ovinos na região. A festa, segundo o produtor José Tieo Takahashi, já consta do calendário turístico do Paraná e está sendo organizada pelos integrantes da Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos do Norte do Paraná (Aconorpa).
A entidade, como destaca Takahashi, atual presidente, conta com 72 sócios, com um plantel médio de 60 matrizes/criador. Durante este ano, estaremos trabalhando para a produção dos cordeiros, que serão degustados na festa, com idade e peso padrão, informa, prometendo que os pratos deverão agradar os paladares mais exigentes.
Além da organização da festa, o presidente da Aconorpa trabalha intensivamente na capacitação dos associados. É mais uma excelente opção de renda para a agricultura familiar, característica na nossa região, destaca. A atividade, segundo ele, é de fácil condução, mas pela falta de tradição no Paraná, enfrenta algumas dificuldades, como a falta de técnicos capacitados. De cada dez que entram, oito desistem.
O produtor já acumula experiência na atividade. A Estância Marabá é considerada referência em ovinocultura, o que já rende parcerias com empresas do setor, além de funcionar como estação de estágios de universidades e colégios agrícolas.
Se formos comparar, a bovinocultura, pela tradição e experiência acumulada pelos criadores, tem manejo mais fácil, além de mão-de-obra e assistência técnica especializadas. Mas quando o assunto é rentabilidade, os ovinos estão à frente. Enquanto o boi fica na casa de R$ 50/arroba, o cordeiro está em R$ 180. Mas não são corretas as comparações, cada atividade tem suas características, pondera. Takahashi acumula também muita experiência com bovinos de corte, atividade desenvolvida há mais tempo na propriedade.
Diferentemente da tradição herdada dos gaúchos, de consumir animais mais velhos (fogo de chão), a ovinocultura atual tem novo conceito, visando a qualidade organoléptica da carne, ou seja, paladar mais agradável, maciez e suculência. Como uma picanha, resume Takahashi. Para se enquadrar nesse conceito, ele enumera quatro fatores básicos: volume de produção, regularidade no fornecimento, sanidade do rebanho e padrão de qualidade da carne.
Capacitação A associação caminha a passos lentos para que o produtor tenha condições não só de aprender o manejo que a produção de qualidade exige, mas também para enxergar o potencial do mercado, diz.
Nesse trabalho, a capacitação dos produtores associados conta com contribuição do Sindicato Rural e do Senar, responsáveis pelos cursos. Os primeiros cursos buscavam a conscientização dos envolvidos para o sistema de produção. Agora, vamos cuidar da organização do manejo, afirma. A Aconorpa realiza ainda reuniões mensais com palestras técnicas.
Para a associação, este ano está se caracterizando como o primeiro de produção de ovinos em escala, mas com destino já traçado: atender a demanda da Festa do Carneiro Grelhado. Depois, estaremos prontos para manter o consumo no varejo da região garante o presidente.
A associação já se mobiliza para atrair a participação das esposas dos produtores, na produção de edredons à base de lã de carneiro. O projeto social, com apoio da prefeitura de Tamarana, busca recursos para o trabalho. Takahashi cita projetos para o aproveitamento do leite de ovelha a longo prazo. As raças produzidas na região ainda não possuem essa aptidão.


