Em tempos de febre aftosa e gripe aviária, pelo menos um setor da pecuária tem motivos para comemorar. Graças à boa demanda pela carne de cordeiro, criadores apostam no aumento do plantel e batalham pela organização da atividade. Na região de Londrina, o primeiro passo para fortalecer a criação de ovelhas foi dado no último dia 11. Nesta data, em evento promovido na 46 Exposição Agropecuária e Industrial, tomou posse a primeira diretoria da Cooperativa Agroindustrial dos Ovinocultores - Coopercapanna Carnes Nobres.
O bom momento vivido pela ovinocultura se expressa também na presença dos ovinos e caprinos na 46 Exposição. São mais de 620 animais, o maior índice em toda a história da feira. Por causa dessa performance, as atividades ganharam até um pavilhão próprio no Parque Ney Braga. São 44 criadores do Paraná e São Paulo que demonstram a genética de dez raçaas.
A cooperativa oficializada na Expo faz parte do Projeto Londrina de Carne Ovina, integrado ao Programa Estadual de Estruturação da Cadeia Produtiva de Ovinos e Caprinos. Gayza Maria de Paula Iacono, coordenadora executiva do programa, explicou que a iniciativa visa organizar o mercado de modo que a oferta regular de carne de cordeiro de qualidade seja garantida. ''Há produção e consumo. O maior problema do setor é oferecer produto de qualidade com constância'', disse.
Segundo ela, grande parte dos abates realizados atualmente são clandestinos, sem inspeção sanitária. ''A cooperativa vai centralizar os abates em firgoríficos com licença de inspeção'', comentou. Os 31 produtores associados iniciam as atividades com um plantel total de 5 mil matrizes.
O médico veterinário Ricardo Luca, presidente da Coopercapanna, explicou que a venda de cada produtor será feita mediante contratos com os compradores. ''A vantagem é que eles poderão programar os abates e planejar investimentos em tecnologia, o que acaba barateando os custos'', afirmou.
Outro objetivo da cooperativa é uniformizar a qualidade da carne. ''Muita gente tem preconceito contra carne de cordeiro porque consome animais abatidos fora dos padrões'', avaliou. Para garantir maciez, sabor autêntico e ótima suculência ao produto, foi estabelecido que o peso das carcaças seja de 13 a 20 quilos. Além disso, o abate acontecerá com no máximo 8 meses, o que mantém as características originais do alimento.
Luca acrescentou que os cordeiros também devem se alimentar com pastagem natural e dietas balanceadas. Sanidade rigorosa, melhoramento genético, técnicas de produção que respeitem o meio ambiente e manejo adequado são outros cuidados para manter a qualidade do produto que ganha cada vez mais adeptos entre os brasileiros.

Serviço:
A cooperativa está aberta a interessados em ingressar na atividade. O custo de adesão é de R$ 300,00. O custo mensal será rateado entre os participantes até o início das operações de venda.

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