Ovinocaprinocultura segue fortalecida no Paraná
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sábado, 13 de janeiro de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Não é de hoje que a ovinocaprinocultura mostra potencial no Paraná e, em 2018, tudo indica a continuidade dessa evolução. Enquanto no Rio Grande do Sul alguns eventos foram cancelados e as feiras estão menores neste início de ano, aqui no Estado o cenário segue promissor, com a participação aumentando em competições pelo País e a participação de novos produtores na atividade. Nesta semana, o programa Multi Agro apresenta todas as facetas deste trabalho. A apresentadora Luly Barbero trata do cenário econômico e manejo dos animais. A exibição inédita acontece amanhã (14) na MultiTV, às 8 horas, com reprises programadas durante toda a semana.
No Paraná, de acordo com a PPM (Pesquisa Pecuária Municipal) de 2015, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são 614,7 mil cabeças, próximo a 3,3% do rebanho nacional. Nestes dois anos, bem provavelmente os números evoluíram e devem seguir assim.
O diretor de ovinocaprinocultura da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Luiz Fernando Cunha Filho, não titubeia em dizer que a atividade econômica "está bombando". "Em termos de feira estamos aumentando nossas participações. Agora em março, na cidade de Cândido Mota (SP), teremos a Copa Paraná São Paulo, o que mostra que estamos expandindo e inclusive fazendo parcerias no estado vizinho."
Luiz também cita o interesse de novos criadores pela atividade e como é procurado constantemente para apresentar e prestar consultoria sobre a cadeia. "Um médico de Londrina me contratou para um planejamento na propriedade dele para 500 matrizes. Esta semana um pessoal de Uraí que cria ovinos me ligou para outro projeto. Não há dúvidas que é uma atividade em franca expansão."
Entre as raças mais procuradas pelos criadores, está a Dorper e White Dorper, da África do Sul. O diretor da SRP diz que o marketing é muito forte em cima dessas raças. Isso fez com que este ano, pela primeira vez na ExpoLondrina, haverá a exposição das raças nacionais na feira, em torno de 800 animais. "Já as cooperativas especializados em ovinos preferem trabalhar com as raças Texel e Ile de France."
Com a demanda da carne cada vez mais aquecida, estratégias no manejo precisam ser trabalhadas no Paraná. A fidelização do consumo gera a necessidade de regularidade de produção. "Temos uma produção de cordeiros o ano inteiro, o que antigamente não era necessário. Usamos a tecnologia de hormonioterapia para fazermos uma segunda estação de monta no ano. Assim, os ovinocaprinocultores conseguem um fluxo de caixa mês a mês na propriedade e os consumidores têm carne o ano todo."
DESAFIOS
Mas nem tudo são facilidades para a cadeia. Como acontece com a pecuária de corte, existe a preocupação da Governo Estadual antecipar o fim da vacinação da febre aftosa, o que até então está programado apenas para novembro de 2020. "Antecipar o interrompimento da vacinação pode ser um balde água fria. Vamos nos tornar uma ilha como aconteceu em Santa Catarina e aí a atividade acaba."
Outro desafio é alto índice de mortalidade de cordeiros pós-nascimento, que ainda está na faixa de 15% a 20%. "Como acontece nos humanos, estou estudando o score de Apgar como um método importante para diminuir essa mortalidade. Dependendo da pontuação, já é possível colocar o cordeiro na terapia intensiva. O ideal era reduzir essa mortalidade para 8%", conclui Cunha Filho


