Os Kasuya também se dedicam à produção e comercialização de morangos, com 15 mil pés de variedades chilena e italiana. Veja vídeo com Realidade Aumentada
Os Kasuya também se dedicam à produção e comercialização de morangos, com 15 mil pés de variedades chilena e italiana. Veja vídeo com Realidade Aumentada



Olhar para a agricultura é olhar para a história da humanidade. Profissão milenar – que data de aproximadamente 3.000 a.C. –, a produção rural simplesmente transformou a forma que se olha para o mundo. Mas ao longo da história, o produtor precisou se reinventar, vencer estereótipos, lutar contra acusações, até atingir o status atual, de referência econômica e pujança no cenário mundial, mesmo na sociedade tecnológica que vivemos.

Mas ainda existia algo que precisava ser aprimorado: a valorização verdadeira do seu produto. Por muito tempo, mesmo com todos os seus méritos, o produtor era engolido nas relações comerciais que participava. De uma forma bem clara, sua produção era valorizada da porteira para fora, mas o dinheiro não chegava ao seu bolso, principalmente quando se trata dos pequenos e médios produtores, maioria absoluta no Paraná, por exemplo.

Hoje, outras estratégias de relacionamento entre o produtor e o consumidor final estão surgindo. Os números incríveis do agronegócio são mais do que justificáveis para dizer que o produtor precisa faturar junto com toda a cadeia. A agricultura representou quase 25% do PIB nacional em 2017 e as exportações atingiram US$ 96 bilhões em produtos agropecuários.

O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Mauro Osaki, relata que essa transformação nas relações comerciais do produtor ocorreu em função de algumas mudanças estruturais. "Hoje o nível educacional do produtor é bem maior e muitos filhos vão estudar e depois retornam (para o campo). O acesso à informação também faz com que ele tenha maior esclarecimento e busca (por conhecimento). Por fim, com a internet, é possível ele negociar seu produto sem qualquer intermediário, por exemplo."

A cadeia, digamos, mais curta – sem intermediários e corretores, tão comuns em décadas passadas para alguns produtos – faz com que o valor final da mercadoria fique até mais competitivo. "Hoje o produtor acorda cedo, vê a cotação do dólar, da Bolsa Chicago e consegue negociar (com maior eficiência)", complementa.

De qualquer forma, para Osaki, a mudança do olhar da cidade e do consumidor final para quem produz ainda está acontecendo. "O agro se reciclou, mas ainda muitos usam a retórica do passado, rotulando (os produtores) como desmatadores ou escravistas. O pensamento agora é outro."

Para o futuro, o pesquisador acredita que a tendência mundial continua sendo de maior escala produtiva e concentração de área, por isso, a importância dos pequenos e médios trabalharem com o associativismo e, claro, buscar maior eficiência, em todos os sentidos, inclusive comerciais. "O Brasil não é visto mais como 'café com leite' no mercado mundial e precisa ter uma postura agressiva, se antecipar aos seus concorrentes. Por isso, os produtores precisam pensar não apenas em produtividade, mas em eficiência no processo produtivo como um todo."

mockup