Outros tempos
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sexta-feira, 27 de julho de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Olhar para a agricultura é olhar para a história da humanidade. Profissão milenar que data de aproximadamente 3.000 a.C. , a produção rural simplesmente transformou a forma que se olha para o mundo. Mas ao longo da história, o produtor precisou se reinventar, vencer estereótipos, lutar contra acusações, até atingir o status atual, de referência econômica e pujança no cenário mundial, mesmo na sociedade tecnológica que vivemos.
Mas ainda existia algo que precisava ser aprimorado: a valorização verdadeira do seu produto. Por muito tempo, mesmo com todos os seus méritos, o produtor era engolido nas relações comerciais que participava. De uma forma bem clara, sua produção era valorizada da porteira para fora, mas o dinheiro não chegava ao seu bolso, principalmente quando se trata dos pequenos e médios produtores, maioria absoluta no Paraná, por exemplo.
Hoje, outras estratégias de relacionamento entre o produtor e o consumidor final estão surgindo. Os números incríveis do agronegócio são mais do que justificáveis para dizer que o produtor precisa faturar junto com toda a cadeia. A agricultura representou quase 25% do PIB nacional em 2017 e as exportações atingiram US$ 96 bilhões em produtos agropecuários.
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Mauro Osaki, relata que essa transformação nas relações comerciais do produtor ocorreu em função de algumas mudanças estruturais. "Hoje o nível educacional do produtor é bem maior e muitos filhos vão estudar e depois retornam (para o campo). O acesso à informação também faz com que ele tenha maior esclarecimento e busca (por conhecimento). Por fim, com a internet, é possível ele negociar seu produto sem qualquer intermediário, por exemplo."
A cadeia, digamos, mais curta sem intermediários e corretores, tão comuns em décadas passadas para alguns produtos faz com que o valor final da mercadoria fique até mais competitivo. "Hoje o produtor acorda cedo, vê a cotação do dólar, da Bolsa Chicago e consegue negociar (com maior eficiência)", complementa.
De qualquer forma, para Osaki, a mudança do olhar da cidade e do consumidor final para quem produz ainda está acontecendo. "O agro se reciclou, mas ainda muitos usam a retórica do passado, rotulando (os produtores) como desmatadores ou escravistas. O pensamento agora é outro."
Para o futuro, o pesquisador acredita que a tendência mundial continua sendo de maior escala produtiva e concentração de área, por isso, a importância dos pequenos e médios trabalharem com o associativismo e, claro, buscar maior eficiência, em todos os sentidos, inclusive comerciais. "O Brasil não é visto mais como 'café com leite' no mercado mundial e precisa ter uma postura agressiva, se antecipar aos seus concorrentes. Por isso, os produtores precisam pensar não apenas em produtividade, mas em eficiência no processo produtivo como um todo."


