O outono começou na última quarta-feira com temperaturas muito elevadas para essa época do ano e com pouca chuva. A massa de ar quente que predomina sobre o Paraná durante as últimas semanas ainda não cedeu à entrada de frentes frias provenientes do sul, que poderiam trazer chuvas e amenizar o calor. Porém, há previsão de temperaturas mais amenas e aumento de umidade do ar para os próximos dias. Durante a última semana choveu pouco em quase todo o Estado, com valores acumulados menores que 15 mm. Em algumas localidades, porém, ocorreram pancadas de chuvas isoladas, como em Antonina (48 mm).
O veranico é mais crítico na faixa oeste do Estado, abrangendo as regiões de Paranavaí até Foz do Iguaçu, onde não ocorrem precipitações expressivas há mais de 15 dias. Nessas regiões, as perdas por evapotranspiração permanecem elevadas (4 a 6 mm por dia), devido às altas temperaturas e baixa umidade do ar, ocorrendo decréscimo do armazenamento da água disponível no solo a valores menores que 20% da capacidade máxima (faixa vermelha no mapa), o que é considerado muito crítico para o desenvolvimento das culturas. Nas demais regiões, a situação é também de deficiência hídrica, com armazenamento menor que 50% da capacidade máxima (faixa laranja no mapa). Condições favoráveis ocorrem somente em áreas isoladas, como no litoral e na região de Cambará, onde ocorreram precipitações consideráveis nos últimos dias.
Essas condições climáticas adiantaram a maturação da soja semeada na segunda quinzena de novembro a meados de dezembro e devem provocar decréscimo da produtividade da cultura devido ao estresse hídrico e térmico. A maturação simultânea da lavoura causa um grande demanda por colhedoras, já que o agricultor esperava a colheita escalonada. São críticas as condições do milho safrinha nas regiões norte e oeste do Paraná, ocorrendo mortalidade de plantas devido a pragas e baixo desenvolvimento vegetativo, por causa do estresse hídrico. Também espera-se quedas de produtividade para o feijão da seca, causada pelo abortamento de flores ocorrido durante o período com altas temperaturas. A seca resulta também em grãos menores e mal formados. Na olericultura, as altas temperaturas diminuem a qualidade das folhosas e a seca aumenta os custos da irrigação.

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