Alagamentos de cidades (por exemplo Curitiba, São Paulo, Capital - várias vezes este ano -, Londrina, Ponta Grossa), desmoronamentos, tempestades elétricas com vítimas fatais marcam o comportamento do clima neste verão. Daqui a menos de um mês começa o outono, estação mais agradável do ano.
Os institutos que colhem elementos para análises e previsões meteorológicas (Instituto Nacional de Meteorologia e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e sistemas estaduais como o Simepar, no Paraná, e o Cepagri, da Universidade de Campinas (Unicamp), SP, ainda não divulgaram ‘‘alerta de outono’’, mas o comportamento histórico dessa estação é bem marcado. São características predominantes da estação:
1 - os dias tornam-se mais curtos; 2 - as temperaturas, ficam mais amenas; 3 - aumenta o número de dias com céu claro; 4 - diminuem as chuvas (inclusive os temporais); 5 - baixa o teor de umidade do ar; 6 - melhoram as condições de conforto ambiental, devido à queda das temperaturas e da umidade do ar; 7 - começa a aparecer neblina nas baixadas durante a madrugada. O outono começará em 20 de março, às 22h46.
ConfortoAs influências do clima sobre os seres vivos (no caso, especialmente o Homem) é tão importante que ‘‘Tempo, Clima e Saúde’’ será o tema principal da Exposição Técnica de Meteorologia, programada para o período de 22 a 28 de março, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em comemoração ao Dia Mundial da Meteorologia (23/3). O clima afeta a saúde de várias maneiras, porém no outono melhoram as condições de conforto ambiental. Mesmo agora, ainda no verão, já se notam alguns desses sinais, apesar das tempestades continuarem.
Aquele é o tema do próprio Dia Mundial da Meteorologia. Foi escolhido pela Organização Meteorológica Mundial(OMM), devido à relação íntima desses fenômenos e o meio onde eles atuam. Em mensagem ao diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e representante da OMM no Brasil, Augusto Athayde, o secretário geral da Organização, Godwin P. Obasi, defende os esforços pela saúde e o bem-estar da população com a atuação conjunta entre ‘‘serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais, os profissionais de saúde e os responsáveis pela saúde e bem-estar públicos’’.
Clima e saúdeAo relacionar as ocorrências climáticas à saúde, o Prof. Obasi lembrou que o aumento excessivo das temperaturas, em ondas de calor intenso, provoca elevação da temperatura do organismo humano, o que pode resultar em mortes por infarto. ‘‘Nossa sensação de bem-estar não só depende da temperatura como da umidade e do vento’’, disse. Outros exemplos de fenômenos nocivos à saúde, devido às alterações do tempo, são as chuvas ácidas e a redução da camada de ozônio, assim como as catástrofes naturais como ciclones e inundações, que trazem a desnutrição ao destruírem as plantações e os recursos alimentares, provocando o risco de doenças infecciosas pela deterioração dos sistemas de saneamento.
Segundo o especialista, ‘‘estudos recentes demonstraram que existe uma relação entre o El Ni¤o e os focos epidêmicos de determinadas enfermidades virais e outras doenças transmitidas por vetores que ocorrem mais frequentemente depois de intensas precipitações.’’
Os riscos à saúde, provocados pelo efeito combinado da temperatura e da umidade no caso de exposição prolongada ou realização de atividades físicas, podem ser, entre outros: cãibras, desidratação, cansaço excessivo e estresse, diz o Centro de Ensino e Pesquisa em Agricultura (Cepagri) da Unicamp.
Devido a isso, o Cepagri tem feito o acompanhamento, várias vezes por dia, do conforto ambiental e riscos à saúde, tendo por base as condições do clima (temperatura, umidade relativa do ar, temperatura aparente, índice de conforto) como mostram as duas tabelas publicadas nesta página, com base em dados colhidos em dias e horas diferentes do mês de fevereiro.

mockup