Marcos Zanatta
Os produtores de laranja da região de Paranavaí começaram a colheita da safra 99, que deve render mais de 5 milhões de caixas, ou cerca de 200 mil toneladas. Apenas a Paraná Citrus, a única empresa que esmaga a fruta no Estado, espera receber mais de 4 milhões de caixas. A diferença acaba entrando no mercado da fruta in natura.
Até o final de junho a empresa estará trabalhando com a capacidade máxima, empregando 130 trabalhadores. A previsão é produzir 13 mil toneladas de suco concentrado e congelado, 90% destinados ao mercado externo. A Paraná Citrus exporta principalmente para países da Europa.
Economia fortalecidaO superintendente da Paraná Citrus, Marcos Eduardo Lolli, calcula que o faturamento da empresa chegue a US$18 milhões. Ele destaca que o dinheiro é muito importante para a região, porque vai ‘‘irrigar’’ a economia de vários municípios, no raio de 100 quilômetros onde predomina a pecuária extensiva.
Estão envolvidos com a laranja cerca de 220 produtores que cultivam 7 mil hectares de pomares. Pelo menos 80% das lavouras de citrus estão em plena produção. A safra de laranja garante ainda emprego para 1800 trabalhadores rurais.
IncentivoO período positivo para a cultura está incentivando o plantio de novas áreas de laranja. Alguns produtores também têm apostado na ampliação dos pomares. ‘‘Até o final do ano podemos ter mais mil hectares de laranja na região’’, prevê Lolli.
O preço também está atrativo. Na última reunião entre indústria e produtores, que participam da administração da empresa, ficou definido um preço de garantia de US$2,20 a caixa. A expectativa, no entanto, é de um valor maior, chegando a US$2,70.
Lolli explica que o mercado está pagando em torno de US$1.400 a tonelada de suco, e apesar da ‘‘calmaria’’ o valor é bom e a expectativa é de melhora. A cotação depende do comportamento do mercado internacional do suco, que dita o valor a ser pago ao produtor.
Lolli destaca que os produtores podem influir no valor a ser pago pela indústria. ‘‘Quanto maior a quantidade entregue, menor será o custo do processo, o que resultará em vantagens econômicas’’, diz. Ele compara ainda que a média de produtividade de laranja é de 800 caixas por hectare, o que já está garantindo um faturamento bruto de US$1.760 com base no preço de garantia.
LucroCom um custo de US$1,50 a caixa, o lucro do citricultor será de US$560,00 por hectare. Lolli informa que alguns produtores conseguem alcançar rendimento acima da média, ficando entre 1100 a 1200 caixas por hectare. ‘‘Aí será possível ampliar o lucro na mesma proporção, já que o custo não sofre grande diferença’’, compara. ‘‘A laranja é uma das culturas que responde bem aos tratos e investimentos em tecnologia’’, lembra o superintendente da indústria.
A Paraná Citrus faz parte do projeto global de citricultura do Estado, que começou a ser implantado em 1988. A indústria foi instalada pela Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), e hoje é administrada por um conselho. Além da Cocamar, que possui 57% das ações, a empresa tem a participação do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE) do governo do Paraná e dos produtores.

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