As lavouras de soja se recuperaram dos problemas iniciais de instalação da cultura e mostram nesta fase um bom desenvolvimento, nas principais regiões produtoras do Paraná. Segundo o agrônomo da Emater-PR/Embrapa Soja, Fernando Adegas, em áreas visitadas nas regiões Norte e Oeste do Estado e também no Arenito, o clima tem sido o grande aliado dos produtores para vencer os problemas de baixo vigor na germinação e fungos de raiz.
‘‘Este ano os produtores enfrentaram várias dificuldades no início de safra, incluindo os lavradores que trataram suas sementes com Rhodiauram e tiveram que fazer o replantio. Mas agora a situação se normalizou’’, comenta Adegas.
Segundo o agrônomo, os pesquisadores ainda não têm uma conclusão sobre a razão desses problemas. ‘‘Talvez um adensamento maior do solo, problemas com herbicidas, enfim, deve ser resultado de um conjunto de fatores que atrapalharam inicialmente, mas que agora parecem superados’’ , analisa.
Os produtores investiram em tecnologia e semearam suas áreas na esperança de recuperar os prejuízos da safra passada, que foi castigada pela estiagem. O Paraná está cultivando 1,82 milhão de hectares de milho, o que significa um crescimento de 18,4% em relação à safra 99/00, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura.
No último relatório divulgado, a previsão de produção de milho no Estado é de 7,89 milhões de toneladas, representando um aumento na produção de 33,5%. A área de soja cresceu 3% com uma previsão de produção de 7,68 milhões de toneladas.
Poucas pragasNa avaliação do agrônomo Antônio Carlos Ostrowski, encarregado do departamento técnico da Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão (Coamo), as culturas de soja, milho e algodão estão com desenvolvimento normal na sua região, com ocorrência de poucas pragas. ‘‘Com exceção da semana passada, tivemos chuvas regulares na região, o que tem favorecido o crescimento das plantas. No início da safra, algumas lavouras tiveram a ocorrência de oídio, mas não houve necessidade de controle químico’’, comenta.
Segundo Ostrowski, para o combate da lagarta da soja, os produtores estão utilizando o Baculovírus anticarsia ou outros inseticidas fisiológicos, que são menos tóxicos, de menor efeito sobre os inimigos naturais e o ambiente. A Coamo ainda não tem um levantamento, mas estima que 30% dos produtores assistidos pela cooperativa estão utilizando o baculovírus, e outra parte significativa utiliza produtos fisiológicos.‘‘A cada safra percebemos que cresce o número de produtores mais conscientes com a questão ambiental, optando por produtos de controle biológico ou fisiológico’’. Na área atendida pela cooperativa foram cultivados este ano 750 mil ha de soja e 300 mil ha de milho.
NorteNa região de Londrina, as lavouras também estão com bom desenvolvimento, segundo o agronômo Benedito Donato Junior, da Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada do Paraná. No início da safra algumas áreas tiveram problemas de fungo na raiz, mas nada muito sério. E agora começam a aparecer as lagartas. Segundo Benedito, poucos cooperados fazem o controle biológico, pois a maioria prefere os outros inseticidas.
O produtor Milton Janz, do distrito da Warta, em Londrina, está cultivando aproximadamente 160 hectares de soja em sociedade com os irmãos. Não plantou milho neste verão, porque perdeu toda a lavoura na safrinha, com a geada. ‘‘Não nos animamos nem com os preços mais altos do milho do início da safra, porque ficamos decepcionados com a cultura na safrinha. Além disso, nossa propriedade fica próxima da cidade, e os vizinhos que moram nos conjuntos residenciais não respeitam a propriedade e colhem boa parte do milho’’, reclama Janz.
O produtor, apesar de manter um contato próximo com os pesquisadores da Embrapa Soja, não está utilizando o baculovírus para combater a lagarta. Prefere os produtos fisiológicos. Ele está cultivando quatro variedades diferentes na sua área: Embrapa 133, Embrapa 48, Embrapa 136 e Embrapa 156. Segundo Janz, uma parte de sua lavoura apresentou problemas de fungos na raiz.
Para o produtor Genésio Camolese, do município de Santa Mariana, que utiliza o controle biológico há vários anos, a maior parte dos produtores não têm paciência com o baculovírus, porque seu efeito demora alguns dias. ‘‘Muita gente quer aplicar e ver logo a lagarta morrer. O baculovírus não age no ato e exige que o produtor vistorie a lavoura toda semana. Em compensação o custo é menor e não prejudica o ambiente’’, comenta. Camolese está cultivando este ano aproximadamente 800 ha de soja e 360 ha de milho, e sua expectativa é de uma boa produção este ano. ‘‘Nesta safra aumentamos a área de milho e reduzimos a soja, motivados pelos preços, mas agora já estamos preocupados com o comportamento do mercado de milho’’, diz Camolese. O produtor espera colher 100 sacas de soja/alqueire e 250 sacas/alqueire de milho.
Excesso de chuvaPara o produtor Takashi Yuyama, da Warta, os problemas de germinação da soja foram ocasionados pelo excesso de chuva no início do plantio. ‘‘Muitas sementes morreram afogadas’’, destaca Takashi e em várias áreas houve necessidade de replantio na falhas. Este ano Takashi está plantando milho pela primeira vez em sua propriedade, por recomendação da cooperativa. ‘‘O objetivo foi fazer rotação de culturas, para melhorar o solo’’, explica.
No Extremo Sudoeste do Paraná, na região de Francisco Beltrão, o desenvolvimento da soja também está normal, com poucas pragas. Apenas o milho que sofreu um pouco com o veranico ocorrido em dezembro, segundo o técnico da Cooperativa Agropecuária de Capanema (Coagro), Celso Munaro. ‘‘Ficamos 20 dias sem chuva e isto atrapalhou o milho que deve ter um quebra de produtividade em torno de 10%’’, avalia o técnico. Mas a soja se recuperou com o retorno das chuvas a partir de final de dezembro. A previsão do técnico é de que a produtividade deva ficar entre 2.500 e 3.000 kg/ha.
OesteO gerente da Cooperativa Agrícola de Cascavel ( Coopavel), Rogério Rizzardi, informa que o desenvolvimento na safra na região está normal, mas ainda é prematuro fazer previsões para o resultado final, pois a soja está em fase de floração e o milho passa pelo estágio de enchimento do grão. ‘‘As culturas estão muito bem, o que indica que teremos uma safra normal, e não uma supersafra como alguns estão falando’’, ressalta.
A Coopavel possui 23 entrepostos, em 17 municípios da região de Cascavel. Em sua área de abrangência, foram plantados 180 mil hectares de soja e 80 mil hectares de milho, sendo que, grande parte dessa produção é utilizada na fabricação de ração pela cooperativa. Rizzardi lembra que algumas micro-regiões, como a de Três Barras (85 Km ao sul de Cascavel), terão algumas perdas, devido a estiagem que tomou conta da região no mês de dezembro.
O engenheiro agrônomo Ivair Ceolin, da Cooperativa Agrícola Vale do Piquiri (Coopervale), de Palotina (96 Km ao norte de Cascavel), está bastante otimista em relação a safra de soja e milho para este ano. Ele também prefere não falar em supersafra, mas tem certeza de que a produção será bem melhor que a do ano 2000. ‘‘A soja está numa condição excelente, pois está chovendo até mais que o esperado. E o milho também acompanha a boa fase’’, acrescenta.
Este ano foram plantados 140 mil hectares de soja e 13 mil hectares de milho na área sob cuidados da Coopervale. O milho teve um aumento de 15% da área plantada, mas ainda é pouco perto da área utilizada no inverno, quando são cultivados cerca de 80 mil hectares do milho safrinha. ‘‘Pretendemos reverter esse processo, incentivando mais o plantio nessa época, e melhorando a rotação de culturas’’, observa.
Para Carlos Praisler, supervisor de vendas da Cooperativa Agrícola Mista Rondon (Coopagril), de Marechal Cândido Rondon (90 Km a oeste de Cascavel), a única preocupação são as chuvas no período da colheita, principalmente, em relação à soja que pode sofrer perdas. Este ano foram plantados 65 mil hectares de soja e 15 hectares de milho.
Colaborou Gilmar Agassi, de Cascavel

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