Guaratuba - O maior gargalo na produção comercial de ostras no Paraná sempre foi a baixa oferta de sementes nativas - única variedade com permissão de cultivo no Estado. Agora, um programa de produção de sementes - ou ''filhotes'' de ostras - em laboratório pode por fim a este entrave. O projeto ''Ostra Nativa'' do Centro de Produção e Propagação de Organismos Marinhos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (CPPOM-PUCPR), em Guaratuba, trabalha com o objetivo de solucionar a escassez de filhotes.
A dificuldade no acesso a estas sementes mantém um clima de insegurança na atividade, que até a bem pouco tempo, encontrava-se em declínio, por falta de condições de expansão. As sementes são as responsáveis pelo abastecimento das áreas produtivas, e por serem extraídas da natureza ou importadas de Santa Catarina, dificilmente o produtor consegue manter regularidade no volume de molusco safra. Como o estado vizinho produz a variedade japonesa, o pequeno plantel de nativas nunca foi o suficiente para atender a demanda parananense.
Produtores do Litoral já começaram a receber sementes nativas originadas pelo laboratório da PUC por meio de fertilização in vitro. Onze criadores já estão contemplados e outros 25 aguardam a liberação da área produtiva (outro sério entrave) para receber o material. A promessa do programa é injetar cerca de 1 milhão de sementes por ano no setor.
''A ostreicultura no Paraná ficou estagnada por muito tempo por dois motivos principais: dificuldade na cessão de áreas para a expansão do mercado e para aqueles já instalados, e a falta de oferta de sementes de ostras nativas. A esperança é que agora o setor cresça, dê lucro e principalmente, reative a economia das comunidades mais carentes de pescadores, como opção de atividade'', planeja o coordenador da cadeia de pesca e aquicultura da Emater, uma das entidades parceiras da PUCPR, Luiz Danilo Muehlmann.
O projeto começou em 2005, com recursos da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, e desde dezembro passado começou o fornecimento de sementes para as cidades de Guaratuba, Paranaguá e Guaraqueçaba. O produtor recebe entre 20 a 60 mil unidades, conforme o tamanho da propriedade. ''Com o acesso ao material, o ostreicultor poderá planejar a produção e, consequentemente, os custos'', informa o coordenador do CPPOM, Fabiano Bendhack.
Bendhack ainda adianta que, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), até 2030, grande parte das espécies aquáticas comerciais, entre elas a ostra, devem entrar em estado irreversível de extinção, na ausência de projetos de sustentabilidade, devido a alta demanda mundial por alimentos. ''Uma das vantagens deste viveiro é dar a oportunidade para a reprodução, que pode chegar a 85% pelo processo de indução, o que diminuirá a pressão sob os estoques naturais'', comemora Bendhack.

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