Depois de alguns anos trabalhando como repórter fotográfico da Folha de Londrina Sebastião Pereira demorou outros quatro anos até encontrar um novo rumo certo para a sua fotografia. Foi um colega quem deu a dica: uma empresa de inseminação artifical estava precisando de um profissional especializado em fotografia de animais. ''Eu não entendia nada, mas fui mesmo assim'', lembra.
''Os chefes viram que eu não entendia do assunto, mas eu perguntei se poderia acompanhar o fotógrafo que estava deixando o posto durante o aviso prévio dele. Eles concordaram e eu fui. Como tinha uma máquina 6x6, que deixava as fotos com uma qualidade melhor, apresentei um bom trabalho no final do mês e fui contratado'', conta.
De lá para cá, já se passaram mais de 20 anos e milhares de clicks de animais, que acabaram tornando Pereira um expert na fotografia de bois e cavalos. ''No Brasil todo somos só uma meia dúzia de profissionais atuantes'', avisa o fotógrafo. Por conta dos poucos profissionais do setor, Pereira, que deixou Londrina recentemente para se instalar em Curitiba, precisa viajar durante o ano todo atrás de clientes no Paraná, São Paulo e Mato Grosso e fotografando, principalmente, catálogos de leilões.
A dica para ser um bom fotógrafo? ''O animal tem que parecer equilibrado e a foto ainda tem que valorizar o que ele tem de bom''. Parece fácil? Para o perfeccionista Sebastião Pereira, uma foto boa significa clicks e mais clicks até sair do jeito que ele quer, ou seja, perfeita. Nem que precise repetir 50 vezes a mesma pose. ''Hoje já tenho o mesmo nível de conhecimento que os criadores. Olho com os olhos do criador'', conta Pereira.
Assim como fotógrafos de moda encontram top models como Gisele Bundchen pela frente, que facilitam todo o trabalho, também há animais prontos para a foto. ''Tem animal que posa para a foto'', garante o expert. ''Sou um apaixonado pela fotografia e acho um privilégio mexer com animais'', avisa Pereira.
''As câmeras digitais facilitaram o trabalho'', conta o fotógrafo, que pode ver na hora o resultado do trabalho, economizando tempo. ''O puxador do animal também colabora muito'', explica. ''Ele deixa o animal tranquilo e ajuda a chamar a atenção'', completa. ''Aliás, eles me ensinaram muito do que sei'', lembra.
Se o touro não olha para a câmera, Pereira usa e abusa de artifícios que aprendeu ao longo dos anos. Até sombrinha velha serve para fazer o animal voltar os olhos para a lente. Também vale passear com outros animais por perto e fazer muito barulho.
Acostumado a fotografar touros que chegam a custar entre R$ 300 a R$ 400 mil, Sebastião Pereira sabe que é preciso deixar o animal em sua mais bela forma. ''Sempre posiciono os braços dele num morrinho para que fique balanceado com as pernas'', explica. Claro que antes da sessão de fotos, todos têm que se preparar, como se fosse para um julgamento de pista. ''Tem que fazer o toalete, raspar os pelinhos, dar um brilho nos chifres'', ensina.

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