Os novos rumos para o trigo
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Cristina Côrtes Reportagem Local 
O trigo está se tornando cada vez mais interessante para o produtor como alternativa de inverno, principalmente por ter mercado garantido, destaca o pesquisador Sérgio Dotto, da Embrapa Soja, um dos coordenadores do 3º Seminário Técnico de Trigo e da 27ª Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo que serão realizados de 25 a 27 deste mês, em Cascavel.
Esse ano, especialmente, existem diversos fatores favoráveis estimulando o crescimento da área a ser plantada no Paraná, com expansão também para a região Centro-Oeste do Brasil, avalia Dionísio Brunetta, também da Embrapa Soja. A estimativa dos pesquisadores é de que o Paraná plante aproximadamente 950 mil hectares, um crescimento de quase 12% em relação a safra passada.
Representantes do setor produtivo, industrial, político e da
comercialização do trigo vão debater na próxima semana as soluções para o desenvolvimento da cultura no Brasil em quatro painéis. Serão abordadas a situação da cultura no Conesul, as dificuldades e demandas do ponto de vista de produção, assim como a política de comercialização e mercado para a
cultura do trigo. O encontro é promovido pela Coodetec e Embrapa Soja.
ParceriaNos últimos três anos a parceria entre o setor produtivo e industrial está crescendo, e o produtor que investir no trigo terá comercialização garantida. A indústria está cada vez mais interessada no trigo nacional, que oferece qualidade e preços melhores que o trigo importado, explica Brunetta. O pesquisador lembra ainda que hoje a importação está mais difícil. Não temos mais os prazos de pagamento e e nem a paridade entre real e dólar que existia anos atrás.
Os bons resultados da safra passada também são argumentos fortes para estimular os produtores. Tivemos alta produtividade, em média 2.070 kg/hectare, que movimentou aproximadamente R$600 milhões, sem levar em conta a comercialização de insumos, geração de emprego e economia de divisas, com a redução das importações, comenta Dotto. A cultura do trigo gera, em média, um emprego para cada 15 ha, completa.
O atraso da safra de verão este ano também favorece o trigo. A partir de 15 de março já se torna inviável o plantio da safrinha de milho, e aí o trigo entra como melhor alternativa, explica o pesquisador.
SementesAproximadamente 95% da sementes disponíveis hoje são de cultivares de alta qualidade, garantem os técnicos. As principais são: BRS 49; BRS 93; BRS 208; Iapar 53; Iapar 78; IPR-85 e IPR 86; e CD 104.
Na reunião da próxima semana os pesquisadores vão apresentar os últimos resultados da pesquisa com trigo e definir o uso de novas tecnologias e os direcionamentos quanto à pesquisa, extensão e regulamentação da cultura para a safra 2002. A Embrapa indicará duas novas cultivares, a BRS 209 e a BRS 210, que além do bom desempenho agronômico, apresentam alta qualidade industrial.
Os novos materiais, indicados para o norte e o centro-oeste do Estado, são
classificados como trigo Melhorador, sendo utilizados para a fabricação de
pão, macarrão e para mistura de farinhas.
Atualmente, o Brasil utiliza 10,5 milhões de toneladas de trigo para
atender o consumo interno. No entanto, o País ainda produz muito pouco
do que consome. Na última safra, a produção brasileira foi de
apenas 2,9 milhões de toneladas em 1,5 milhão de hectares.


