O fim das barreiras tarifárias e o comércio eletrônico foram os principais assuntos discutidos no encontro internacional ''Alimento e Mercado - Evolução e Futuro dos Sistemas de Mercado na América Latina'', que aconteceu de 28 a 30 de novembro, em Curitiba. Cento e cinquenta produtores, atacadistas e técnicos, além de 50 dirigentes de Centros de Abastecimentos da América Latina, participaram dos debates com a finalidade de integrar políticas de abastecimento e sistemas de comercialização. Também foram analisadas as perspectivas de mercado para o futuro.
O evento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) foi organizado pela Ceasa Paraná (Central de Abastecimento) e Abracen (Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento). Segundo José Lupion, presidente da Ceasa, seção Paraná, o mercado de hortigrangeiros vai passar por mudanças drásticas a partir de 2005, quando entrará em vigor a Àrea de Livre Comércio das Américas (Alca). ''O produtor precisa estar preparado, porque não vai mais competir com o vizinho, mas com o mundo, já que não haverá mais barreiras tarifárias'', alertou.
Comércio vitual
Lupion disse que, em pouco tempo, haverá a comercialização virtual (pela internet) também no setor de hortigranjeiros. ''Por isso, precisamos explorar e entender o comércio eletrônico'', destacou. Na opinião dele, o Paraná tem competência para se tornar um dos maiores produtores de hortigranjeiros do Páis, mas ''temos muito o que aprimorar, na padronização de produtos, compra, venda e distribuição. Precisamos de maior agilidade, que é o que o segmento necessita e exige'', admitiu. Ele salientou que o setor passou por contantes mudanças nos últimos anos no que diz respeito à produtividade e demanda. ''A presença de produtos de outras regiões, de outros países no mercado brasileiro está em expansão. Se os exportadores podem, e mostram competência na colocação de seus produtos em nosso mercado, também temos capacidade para fazer o mesmo, desde que façamos os devidos reajustes'', disse.
Potencial
Para o governador Jaime Lerner, o Estado tem potencial para liderar a produção nacional de alimentos. ''O Paraná já é o maior produtor de grãos do Brasil, com uma safra de R$ 24 milhões de toneladas'', disse lembrando que o Estado já superou Santa Catarina e hoje também é o maior pordutor de frangos do País. O Estado produz R$ 622 milhões de frangos anualmente, o equivalente a 19% da produção nacional. ''Respondemos por 28% da exportação nacional de frangos'', acrescentou Lerner durante a abertura do encontro.
Lupion mostrou no encontro as experiências do Estado com o programa Hortiqualidade Paraná, em que produtor e atacadista são preparados para adequar os produtos de acordo com as exigências internacionais. Mas os programas do Estado que mais impressionaram no encontro foram os sociais. O Super Sopa, que garante a alimentação de crianças carentes de zero a seis anos, pela doação de leguminosas e folhosas foi o que mais se destacou. ''Ficamos interessados em implantar o programa em nosso País'', disse o presidente da Federal Nacional Argentina de Mercados Raul Gipoutot.
O próxima reunião do setor será entre representantes de todo o mundo em julho do ano que vem, na Alemanha, no Encontro das Nações Unidas para o Comércio de Alimentos. Lá os blocos econômicos apresentarão sugestões para futuros acordos comerciais entre os países.

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