Paris - Toda a agricultura francesa e indústria agroalimentar têm dias contados para ter que se realinhar. A premissa do fim dos subsídios vindos da comunidade européia para 2013, impõe ao setor uma reviravolta nas bases de sua existência para que continue a produzir sem ficar no prejuízo. Essa foi uma das tônicas de destaque do Salão da Agricultura da França, que terminou no final do mês de março, em Paris.
A Política Agrícola Comum (PAC) que sempre promoveu um protecionismo aos produtos europeus irá terminar e países como Brasil, Argentina, Austrália e Nova Zelândia serão favorecidos. Segundo especialistas a chamada Revolução Verde tem um caminho claro a seguir: ou os produtores blindam a necessidade de consumo de seus alimentos ou serão sugados pela entrada de produtos extremamente mais baratos.
O panorama é claro. Não vai ter lugar para todo mundo e a transição se anuncia violenta. Um dos problemas que a França enfrenta, por exemplo, é na pecuária. Seu rebanho fica grande parte do tempo em confinamento, por causa do clima frio, e será praticamente impossível torná-lo competitivo sem os subsídios.
Técnicos dizem que irão desaparecer metade dos 660 mil agricultores rurais que existem hoje. Uma outra realidade difícil de ser contornada é o fato de que junto com o fim do protecionismo irá chegar a baixa de tarifas aduaneiras para produtos importados.
Cerca de 60% dos valores pagos hoje para a entrada de carne estrangeira na Europa deverão ser reduzidos com o andamento das conversações da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a Política Agrícola Comum (PAC). Isso significa que a quantidade de carne bovina que a Europa importa hoje pode triplicar. E, ainda, a compra de 800 mil toneladas de galinhas, na sua grande maioria provenientes do Brasil, pode dobrar.
O panorama que se anuncia para o Brasil é bom, mas para a França o clima é tenso. Para os franceses existem duas saídas. Uma delas e a elitização de sua produção, ou seja, os produtores terão que garantir ao consumidor que o que está sendo vendido por eles tem um grau altíssimo de procedência. Essa é uma estratégia fundamental e uma vantagem em relação aos produtos importados já que o país tem excelência nisso, especialmente em produtos como queijos, patês, carnes, vinhos.
Nesse linha ganham força os chamados produtos Bio, produzidos sem utilização de agrotóxicos ou que sejam geneticamente transformados. Com essa garantia os franceses acreditam que irão conseguir estancar um inevitável massacre dos produtos estrangeiros e uma desestabilização geral de sua agricultura.
Se nesse primeiro pilar elitizado o caos pode ser contornado, no setor mais simples da alimentação o nó aperta mais. Alimentos como cereais e beterraba vão receber uma concorrência enorme de países grandes produtores. Nessa parte os franceses também acreditam ter encontrado a solução. Os agricultores deverão organizar-se em cooperativas. Se todos plantarem juntos em espacos maiores o custo pode baixar e desse jeito o segundo pilar se ergue direcionando a produção para a concorrência mundial.
Um outro caminho de interesse entra numa possível produção de etanol através do plantio de beterraba e grãos. Com esses dois caminhos bem traçados e representando as únicas alternativas viáveis os produtores que não se encaixarem numa ou noutra alternativa estão fadados ao fracasso.

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