Um programa de piscicultura, implantado no início de 2009, tem impulsionado a atividade rural e oferecido novas perspectivas de geração de renda em Ortigueira, região central do Estado. ''O peixe está no centro do projeto, que deverá integrar outras atividades'', afirma Paulo Antônio Teixeira, coordenador do Programa Municipal de Piscicultura e Aquicultura, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento de Ortigueira.
O projeto pretende estimular o aproveitamento integral do peixe, da carne à pele e escamas. A ideia é que produtores comercializem o peixe dentro da propriedade ou ainda encaminhe a produção até um frigorífico. Com os derivados, produzam artesanatos, bolsas, sandálias, bijuterias. ''Existem muitas artesãs na cidade. Vamos promover a habilitação delas para que possam manipular adequadamente os derivados do peixe'', diz Teixeira.
O programa envolve várias etapas, entre elas a criação de uma cooperativa e a implantação de um frigorífico. Conforme Teixeira, a prefeitura do município já investiu R$ 300 mil este ano no programa. Além disso, já foi aprovado um montante de R$ 2,5 milhões pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) para investimentos no projeto. Os primeiros recursos serão aplicados na primeira fase, a qual consiste em compra de maquinários, infraestrutura e capacitação.
Segundo Teixeira, a parceria com o ministério tem sido possível por conta do potencial do município, que conta atualmente com cerca de 1,2 mil tanques cavados com peixe. Por sua vez, segundo o MPA, em todo o País já foram aplicados R$ 2 bilhões no setor.
Em Ortigueira, a adesão ao programa tem sido grande. Até o momento, cerca de 450 propriedades estão cadastradas, envolvendo mais de 900 pessoas, com um objetivo em comum: melhorar a renda da família. O produtor Nelson Chagas, do Sítio Maringá, é um dos que estão ansiosos e animados com o projeto. ''Estou muito confiante, principalmente com a possibilidade de melhorar o orçamento da família'', frisa o agricultor que atualmente produz leite e frango.
Chagas ressalta a expectativa em poder diversificar a atividade porque no inverno, principalmente, a produção de leite cai e ele e a família passam apertos financeiros. ''Já temos o tanque e sempre produzimos peixe, mas apenas para consumo próprio'', conta o produtor, lembrando que na época da Páscoa e do Natal sempre faz uma doação aos amigos.
Agora é diferente. Além de começar a produzir comercialmente no tanque que já existe no sítio, pretende construir outros dois lagos até o final do ano. A produção deve ficar concentrada com carpa, pacú e tilápia. Chagas também quer produzir alevinos. E a ração, que no momento vem de fora, deverá ser produzida organicamente dentro da propriedade. ''Eu já tinha pensado em trabalhar com peixe, mas não tinha muito conhecimento sobre o assunto. Agora, vamos ter apoio técnico, inclusive, então será diferente'', acredita o produtor.

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