Os gênios que reinventam o campo
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Eles são pessoas comuns, que sempre tiveram o pé na roça. Nem mesmo cursaram uma faculdade de engenharia ou de física. Mas têm uma astúcia e uma criatividade de causar inveja. Quem são eles? São os muitos Franciscos, Márcios, Marcos ou Luizes, cuja necessidade de sobrevivência os transformou em gênios.
Como é o caso do produtor Marcos Rogério Toschi, de Jesuítas, que possui seis invenções, ou inovações tecnológicas, que lhe garantem agilidade e eficiência na condução dos cinco alqueires de café orgânico que toca junto com o pai e dois irmãos. A necessidade faz o sapo pular, justifica citando um conhecido provérbio popular. O frio intenso, registrado em 2000, foi responsável pela ocorrência de 10 geadas em sua região. No sítio da família, que na época tinha nove alqueires, perto de 75 toneladas de café foram torradas ainda nos cafeeiros.
O desespero, a falta de dinheiro e as dívidas, em vez de desanimá-lo, foram o marco para o despertar daquilo que chamaremos de genialidade inventiva. Tínhamos de retomar a cafeicultura, então optamos pelo sistema orgânico. O equipamento de que dispúnhamos era um tratorzinho Tobatta, conta ele. A primeira modificação foi criar uma roçadeira.
Depois vieram outros equipamentos, como um pulverizador, uma semeadora, um furador de covas, um movimentador de café para terreiros suspensos, uma cobertura móvel para esses terreiros, e, a última delas, uma lâmina com sistema hidráulico que, acoplada ao tratorzinho, cuida de esparramar os ciscos da arruação feita para o período de colheita. O espaço de entrelinha que tenho é de 90 centímetros. Então, é nesse tamanho que meus equipamentos precisam circular, resume Toschi.
Para a fabricação não foi utilizada nenhuma grande novidade da engenharia mecânica, e sim pedaços de madeira, peças encontradas na propriedade e algumas outras adquiridas em ferros velhos de uma cidade vizinha. As invenções mais caras, como a semeadora e o pulverizador, custaram pouco mais de R$ 1 mil. Mas a grande economia está na redução do tempo de trabalho e nos custos com mão-de-obra.
Com o meu pulverizador espalho 3 mil litros de caldas por dia, comemora. Só para comparar a eficiência, em um pulverizador costal, que antes era o único equipamento que utilizava, cabem, em média, 20 litros. Já a semeadora permite plantar 2,5 alqueires em quatro horas de trabalho. Toschi completa dizendo que: Seriam necessárias quatro pessoas trabalhando o dia inteiro, tendo como instrumento uma matraca.
Engana-se ainda quem pensa que o produtor tenha ficado atrasado na utilização das novas tecnologias da pesquisa. A semeadora realiza tanto o plantio convencional como o direto, garante.
A produção de café orgânico de Marcos Rogério Toschi já possui certificação que permite a comercialização do produto tanto no mercado interno como no europeu. O próximo passo será a autorização para o mercado japonês, que ainda não foi obtida devido aos custos do processo. As três certificações custam cerca de R$ 6 mil. O produtor cuida ainda da torrefação, moagem e empacotamento do café. A sua genialidade inventiva também atuou na construção de parte dos equipamentos que utiliza.


