Curitiba - A pecuária de corte sobrevive da qualidade genética desenvolvida pelos selecionadores de gado elite. Apesar de mercados tão diferentes, o fornecimento de tourinhos melhoradores de plantel pelos criadores de gado ''fino'' aos invernistas produtores de carne, é um elo importante da cadeia produtiva. Usar touros de genética superior é sinônimo de carne de qualidade, que atende aos consumidores mais exigentes e de quebra, carcaças valorizadas por frigorifícos, com a chance de um recebimento mais encorpado por arroba abatida.
Para manter a engrenagem de compra-venda / melhoramento genético rentável, o pecuarista deve estar atento à consanguinidade. Este fenômeno de origem genética merece atenção porque está relacionada a níveis de fertilidade, adaptabilidade e viabilidade, ou seja, à capacidade de sobrevivência dos animais.
Segundo o pesquisador em melhoramento genético da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) Luiz Antônio Josahkian, a consanguinidade é uma ferramenta que pode ser positiva ou não, dependendo do trabalho de seleção aplicado no plantel. ''Cabe ao criador conhecer o estoque de genes que ele tem disponível no rebanho e controlar o grau de sangue dos parentes com acasalamentos dirigidos por meio de estudos de melhoramento genético'', diz o especialista.
Entre os efeitos benéficos ele destaca que a consanguinidade é o único elemento que fixa um determinado padrão fenotípico por meio de apuração e refinamento genético. Destaque para as características raciais porque aumenta a semelhança entre os seres. Daí vem a criação das famílias que permite no futuro acasalar diferentes linhas sem sair da raça, o que os geneticistas chamam de vigor híbrido.
''O uso controlado da consanguinidade entre mestiços, nos trabalhos de formação de compostos, pode resultar na formação de linhagens mais adaptadas a ambientes adversos como o clima tropical'', ressalta o especialista em melhoramento animal do Instituto agronômico do Paraná (Iapar) Daniel Perotto.

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