Mário CésarGangorraNagib Abudi diz que a gangorra dos preços acaba prejudicando sempre o produtorNos próximos meses, fevereiro, março e abril, comercializam-se de 70% a 80% da safra de verão no Brasil, e poucos produtores têm condições de esperar o momento certo para negociar sua colheita. As oscilações de preços de mercado são quase sempre desfavoráveis para o produtor, beneficiando os intermediários.
Na opinião do presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Londrina, Nagib Abudi Filho, que é produtor de soja e milho, a gangorra de preços acaba quase sempre prejudicando o produtor, que não tem estrutura própria de armazenagem e nem informações sobre o mercado em que irá colocar seu produto. ‘‘No Brasil acontece sempre um grande equívoco: incentiva-se o plantio com base nos preços do passado e não no mercado futuro. Tanto a produção, como a colheita e o escoamento, não são programados.’’



O plantio deve
ser feito com
base no futuro
e não no passado


SoluçõesPara Nagib Abudi não tem como reverter esta situação sem o apoio do Governo. ‘‘Nós produtores, queremos que o Governo cumpra pelo menos o que está na Lei, que é a Política de Preços Mínimos. De 90 para cá, esta política vem sendo abandonada. É preciso que as regras sejam mais claras’’, argumenta.
A expectativa de Nagib é que os problemas de comercialização se repetirão nesta safra, porque o produtor está descapitalizado e vai precisar vender logo sua produção para pagar financiamentos. ‘‘Se o Governo liberasse um aporte maciço de aproximadamente R$ 500 milhões de Empréstimo do Governo Federal (EGF) para as principais cooperativas do Paraná, boa parte do problema estaria resolvido’’. Com a inadimplência de muitos produtores, as cooperativas também se encontram com dificuldades de recursos para comercializar a safra.
‘‘A atividade agropecuária é responsável por 50% a 60% do PIB estadual, mas não recebe o apoio que merece. Quem quer se manter na atividade hoje, além de ser um excelente produtor, tem que ser economista e homem de mercado‘‘, destaca.

Milton DóriaMesmo com o aumento da produção de soja, a tendência de preços é de alta MercadosCada tipo de produto tem seu mercado com características próprias, e que deve ser pesquisado e estudado antes do produtor tomar a decisão do que plantar, que área plantar e onde plantar. ‘‘Com a globalização da economia, ampliar a informação e educação do produtor é indispensável para viabilizar qualquer tipo de atividade’’, diz Nagib.
O caso dos hortifrutigranjeiros é um exemplo típico da decisão de plantar com base nos preços anteriores, o que causa um excesso de oferta. Este fator, somado ao fato de que os produtos são perecíveis e com alto custo de produção, tem consequências desastrosas para o produtor. ‘‘E esta situação se repete com frequência. A própria assistência técnica do Governo, da extensão rural, não está preparada para orientar o produtor sobre o que fazer depois da colheita’’, comentou.
A desorganização da política de preços na área governamental é uma das principais causas apontadas por Nagib, tanto para os produtos perecíveis ( hortaliças e frutas) como para os cereais (soja, milho, trigo). ‘‘No mundo todo a atividade agrícola é protegida pelo Governo, menos no Brasil, onde o produtor está exposto a uma concorrência desleal pelas importações que são feitas justamente quando o produtor precisa de proteção’’.

mockup