Os caquis estão de volta
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sexta-feira, 02 de maio de 2008
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de sofrer uma quebra violenta da safra do caqui, no ano passado, o município de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, maior produtor paranaense do fruto, volta a respirar mais aliviado. As fortes geadas que caíram sobre os caquizais da região, em setembro de 2006, atingiram de forma intensa e vital os ramos produtivos dos caquizeiros, comprometendo cerca de 70% da produção do ano seguinte e provocando a perda total dos pomares de algumas propriedades. Prejuízo nunca visto e sentido pelos agricultores, em cerca de 90 anos de tradição do cultivo do caqui.
O município que produzia 3,5 mil toneladas da fruta, por ano, principalmente da variedade Kakimel, calcula a produção de 1,3 mil na safra que acaba de ser colhida. O renascimento da produção, mesmo que tímido, e a possibilidade real de agregar renda novamente aos pomares, já é motivo suficiente para celebrar. Campina Grande do Sul concentra todos os esforços para promover a 31 Festa do Caqui, mais conhecida como Kakifest, entre os dias 9 e 11 de maio. Em 2007, foi preciso importar a fruta para poder realizar a festa.
''Eu nunca tinha visto isso acontecer por aqui. A geada atingiu mais as propriedades nas baixadas. Depois do prejuízo, passei a trabalhar com a banca o ano inteiro vendendo legumes, verduras e frutas que compro no Ceasa. Antes da geada só vendia caqui, quando meus pomares rendiam 5 mil caixas'', lembra o agricultor José Berleis, 50 anos, que colheu na suas três propriedades menos de mil caixas de caqui. ''Esse ano precisei comprar caqui de outros produtores, mas em 2009, voltarei a ter uma boa produção, os pomares vão se recuperar'', disse confiante o fruticultor.
Na banca de José Berleis, localizada na Rodovia Araçatuba, batizada de Rodovia do Caqui, o quilo da fruta varia entre R$ 1,00 e R$ 2,50 e é ofertada nas variedades Kakimel, Fuyu e Chocolate (Kyoto). A tradição com o cultivo do caqui e os pomares foram herdados do pai do agricultor, que plantou os primeiros pés da fruta há cerca de 60 anos.
Na região de Rancho Alegre, a família do produtor Rodrigo Souza, 24 anos, comemora uma colheita bem próxima do potencial de produção que oferece os 2 mil pés de caqui em três propriedades. Os pomares renderam mais de 3 mil caixas de Kakimel.
''Estamos satisfeitos com a produção desse ano, que triplicou em relação a 2007. Apenas um dos pomares foi um pouco prejudicado. Mas teve produtores maiores que perderam a roça inteira com a geada. A riqueza do nosso município é o caqui, dá para imaginar o estrago que causou'', relata Rodrigo, diante de 650 caixas de Kakimel prontas para serem comercializadas. Antes de chegar aos pontos de venda, essa variedade precisa passar pelo processo de destaninização para a retirada artesanal do tanino, que provoca um sabor ''amarrento'', conhecido como trava-língua.
''Colhemos o caqui ainda com a cor amarelada e alaranjada e borrifamos um litro de álcool comum para cada dez caixas de 20 quilos. Jogamos uma lona por cima para abafar a fruta, por dois dias, e finalizar a maturação. O tanino é extraído e o caqui fica bem docinho'', explica Rodrigo Souza. ''Imagine que na época do meu avô, para fazer a destaninização molhava-se o caqui, um por um, no álcool. Era muito trabalhoso. Hoje se sabe que não é necessário. O cultivo do caqui é muito simples, tanto que a roça é tocada apenas pela nossa família'', destaca o agricultor.


