A agricultura orgânica para alguns produtores de Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana), tomados por dívidas ou vítimas de calotes de atravessadores, apareceu inicialmente como única opção para se manter na atividade. Como é o caso de Célio Ferracioli, 49 anos, sendo 20 deles dedicados à produção de hortaliças. A baixa produtividade do sítio e as dívidas com insumos, segundo ele, promoveram ''cinco anos de quebradeira''.
Em 2001 Ferracioli participou dos treinamentos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR/Faep) em parceria com a Agência de Desenvolvimento do Município, Emater e Sindicato Rural, e confessa que não se sentiu motivado pelo sistema. ''Eu não tinha outra opção. Fui empurrado para a produção orgânica'', brinca. Quase cinco anos depois, Ferracioli afirma com convicção: ''a agricultura orgânica foi uma benção de Deus''. Ele conta que já conseguiu praticamente quitar todas as dívidas e a produção orgânica lhe garante um salário mensal médio de R$ 2 mil.
Os canteiros estão distribuídos em campo aberto e em estufas para a produção diversificada de hortaliças como tomates, cenoura, ervilha, brócolis, couve, alface, escarola, rúcula. Toda semana ele colhe um volume aproximado de 200 quilos de vegetais e cuida sozinho da venda desses produtos nas três lojas de orgânicos de Londrina, além de supermercados de Arapongas, Apucarana e Marilândia. A produção é entregue embalada e etiquetada. A esposa Elza lhe auxilia tanto nos cuidados com a horta quanto no preparo das bandejas. As entregas são feitas às terças-feiras.
Além de Ferracioli, outros 11 produtores foram capacitados no mesmo programa. Eles são responsáveis pela criação da Associação de Produtores Orgânicos de Marilândia do Sul (Apomar). A área destinada à agricultura orgânica é de aproximadamente 200 hectares (ha), com cultivo de hortaliças e também soja, milho, feijão, e algumas cabeças de bovinos.
Já o produtor Ademir Zanlorenzi trocou a boléia do caminhão pela agricultura convencional. A propriedade era cuidada por parceiros, mas ''dava mais despesa que produção'', revela. Apoiado pela esposa, a professora aposentada Anita, se mudaram para o sítio mudando também a técnica de produção e o estilo de vida. Este ano o principal produto foram as beterrabas, que devido a demanda da empresa de Curitiba, os canteiros estão sendo aumentados em mais de 100%. ''Quando se conhece a produção orgânica a gente se apaixona. É difícil ter ex-produtores de orgânicos'', opina.
Este ano as propriedades foram certificadas pelo Instituto Biodinâmico (IBD), de Botucatu (SP), e esperam apenas a emissão dos selos de certificação que devem ficar prontos até o final deste mês. Os selos vão permitir aos produtores a ampliação dos pontos de venda.
A motivação e os resultados do grupo está impulsionando outros produtores a buscar informações sobre o sistema de cultivo. ''Temos mais quatro agricultores em fase de conversão da propriedade e outras 10 pessoas estão aguardando por novos cursos de capacitação'', informa o engenheiro agrônomo Romeu Suzuki, da Emater.
O acompanhamento dos produtores é feito pelo técnico agropecuário Laudemir Peres, cedido pela prefeitura, que cuida também da coordenação do grupo. O agrônomo da Emater dá suporte no atendimento dos produtores.

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