A semana começou bem para o café fino que teve alta de mais de 300 pontos na bolsa de valores, sendo comercializado em média a R$ 190,00. Para o corretor Marcos Bacceti, o aumento dos preços foi motivado pelo anúncio da diminuição dos estoques norte-americanos em 105 mil sacas.
''A baixa qualidade da safra brasileira também contribuiu para as mudanças do mercado. Este ano, a estiagem durante a floração e o excesso de chuvas no início da colheita comprometeram bastante a produção'', disse o corretor. Segundo ele, apenas os cafeicultores que realizaram uma colheita seletiva, obtendo um produto de melhor qualidade, poderão aproveitar os bons preços.
A quebra na produtividade dos cafezais do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo também comprometeu o avanço dos preços, que sofreram baixas de até 270 pontos na última quarta-feira. Segundo Bacceti, os cafés de bebida mais fraca foram os que mais sofreram com a oscilação do mercado, variando entre R$ 170,00 a R$ 150,00 o preço da saca de 60 kg.
Entretanto, para aproveitar o leve aumento nos preços, os produtores paranaenses estão secando rapidamente o café armazenado nos terreiros. De acordo com Bacetti, os cafeicultores só estão liquidando o café de baixa qualidade para suprir as despesas com a colheita. ''O mercado vive um momento interessante, pois toda a produção está comprometida entre as exportações e o mercado interno'', salientou.
Segundo o corretor, a saída para atender a demanda é incrementar a produtividade das lavouras, investindo na variedade adequada, na colheita seletiva e nos repasses. ''Mas para isso, os cafeicultores precisam, primeiro, ser melhor remunerados'', frisou. Hoje, o Brasil exporta cerca de 25 milhões de sacas e consome 15 milhões.
Colheita Até agora, 77% do café paranaense foi colhido e a expectativa de produção gira em torno de 2,4 milhões de sacas. ''Uma queda de 2% na estimativa inicial devido aos três meses de estiagem no começo do ano'', salientou a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), Margorete Demarchi.
Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Marco Antônio Rodrigues Jusevicius, uma frente fria deve chegar ao Paraná amanhã, podendo causar chuvas isoladas na região cafeeira. ''As chuvas devem ser leves e não vão recuperar o período de estiagem nem comprometer a colheita do café'', apontou.
De acordo com Margorete, a região Norte é responsável por 77% da produção estadual, tendo Londrina como destaque, com 92% do cultivo de café. Já o Noroeste produz 14% do café paranaense e o restante da produção é dividido entre Centro-Oeste, 5%, e Oeste, 4%, com destaque para o município de Toledo.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra brasileira será 33% maior este ano. A expectativa é produzir 38,3 milhões de sacas na safra 2004/05 contra os 28,8 milhões obtidos em 2003/04. A produção cresceu, pois este é o ano de maior produtividade do café tipo arábica, cujo ciclo de dois anos alterna colheitas de volume elevado com baixa produção.

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