A diversidade de espécies abre o potencial do Brasil para a produção comercial de orquídeas, defende professor de universidade norte-americana
A diversidade de espécies abre o potencial do Brasil para a produção comercial de orquídeas, defende professor de universidade norte-americana | Foto: Anderson Coelho



"Pessoas extraordinárias merecem flores extraordinárias." O slogan usado por viveiros médios de orquídeas nos Estados Unidos é um exemplo de como é possível agregar valor ao produto para sobreviver mesmo em um mercado já estabelecido, mas no qual o cruzamento de diferentes espécies cria novidades "todos os dias". "O Brasil tem um potencial enorme, porque é rico em plantas belíssimas. Nos Estados Unidos, a maioria dos híbridos não são de plantas nativas", diz o professor brasileiro Wagner Vendrame, da Universidade da Flórida.

Ele diz que a popularização do consumo de orquídeas não significa que apenas grandes produtores, com escala para fornecer a grandes lojas de departamento, dominem o mercado que, estima, bata os US$ 200 milhões anuais (R$ 662 milhões, na cotação de quinta-feira, 22). Os que produzem para as grandes lojas não têm preocupação com a linhagem, oferecem plantas mais baratas e servem de porta de entrada para o mundo das orquídeas.

É a partir desse momento que os pequenos e médios se destacam. "Quem compra de viveiros menores é mais seletivo, quer saber o pedigree, então aceita pagar um preço maior", diz Vendrame. Ele estima que uma orquídea popular custe de US$ 10 a 15, enquanto as com origem determinada não saem por menos de US$ 35. "É um mercado de vários níveis, porque existe o consumidor que começa comprando uma comercial, depois outra, se interessa e vai atrás das especiais."

Somente ao sul de Miami, uma das principais cidades da Flórida, são 14 sociedades e associações de orquidófilos. "A orquídea não tinha tanto espaço nos EUA há seis anos, mas hoje é a segunda em vendas em vaso. Esperamos o próximo senso do Departamento de Agricultura, quando deve virar a primeira", cita o professor, que credita o maior consumo também à maior facilidade de cultivo.

EXEMPLO NATIVO
A sócio-proprietária de orquidário Cibele Mantovani, de Itápolis (SP), também é defensora do exemplo para o mercado brasileiro. Ela conta que o negócio familiar começou como uma revenda de mudas e, depois que ela cursou agronomia, aprendeu técnicas de propagação e montou o próprio laboratório em 2011. São mais de 160 híbridos feitos desde então, nove deles registrados na Real Sociedade de Horticultura (RSH) da Inglaterra, órgão que concentra as "patentes". "A grande vantagem é que podemos comercializar essa planta antes da floração. Como é tudo controlado, nome da planta, nome do cruzamento, então o colecionador adquire a planta com tamanho menor, para cultivar e fazer florescer na sua casa", diz.

Os cruzamentos buscam oferecer produtos diferentes de outros orquidários e unir características desejáveis, como durabilidade da flor, cores diferentes e cultivo fácil. "Muitos produtores fazem híbridos, mas não registram porque tem um custo de US$ 50. O mais interessante para eles é revender", explica.

Porém, o aval da SRH permite determinar o nome, na sequência do gênero da planta, e usá-lo para atrair o cliente. "Muitos usam nomes de atrizes famosas, vale tudo. Nós temos a Brassocattleya tchutchuca, porque é muito pequena e delicada, que passou a vender bastante pelo nome. E temos a Cattleya toyota, que é um híbrido bem resistente, que aguenta tudo, sol e chuva", diz Mantovani.

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