Origem e controle da doença
A ocorrência da sigatoka negra pode provocar perdas de até 100% na produção dos pomares. A doença provocada pelo fungo da espécie Mycosphaerella fijiensis (fase sexuada) ou Paracercospora Fijiensis (Fase anamórfica), tem sintomas muito parecidos com a sigatoka amarela, provocada por outro fungo M. musicolao ou P. musae, que já ocorre nos pomares brasileiros desde a década de 40.
Apesar da semelhança dos sintomas, a sigatoka negra é muito mais agressiva, multiplica-se mais rapidamente e o controle é mais difícil. Segundo a professora da UEL, Carmen Silvia Vieira Neves, o manejo integrado é o melhor caminho para o controle. ‘‘É preciso cuidado com a drenagem do solo e combate às plantas daninhas, para evitar a formação de microclima favorável ao desenvolvimento da doença’’, explica. Outra dica é a eliminação das folhas atacadas ou parte delas, e uma adubação balanceada.
Com relação ao controle químico, a professora orienta que se faça a alternância ou mistura de produtos, utilizando-se aqueles que não tenham histórico de ocorrência de resistência cruzada.
A busca de variedades resistentes é hoje a principal linha de ação. ‘‘Todas as variedades comerciais mais conhecidas são suscetíveis a pelo menos uma das doenças, amarela ou negra. Entre elas, a banana ‘‘ouro’’, altamente suscetível à amarela e mais resistente à negra, pode tornar-se uma opção interessante’’, explica.
A Embrapa Mandioca e Fruticultura, situada em Cruz das Almas (BA) já está disponibilizando para o produtor algumas variedades resistentes a sigatoka negra. São elas: caipira, que parece em seu formato com a banana maçã, mas o paladar é diferente de todas as outras espécies conhecidas de banana; a PV 03-44 e thap maeo, são parecidas com a banana prata e outro grupo como a FHIA-18, FHIA-3, FHIA-21, parecidas com a banana terra, aquela mais usada para fritar.
Segundo Hermínio Souza Rocha, da Companhia de Promoção Agrícola, empresa que administra a Biofábrica localizada na Embrapa Fruticultura, essas variedades não tiveram ainda uma avaliação sobre a aceitação comercial. ‘‘Elas são resistentes à sigatoka negra, mas ainda precisamos saber se agrada o paladar do consumidor’’
As mudas estão disponíveis para compra. Cada unidade custa R$0,90 e, dependendo da quantidade, pode ficar mais barata. O técnico informa que só atendem pedidos de grandes quantidades, como por exemplo três mil mudas, porque senão o frete não compensa. Eles mandam as mudas por avião, em caixas de isopor. O frete de uma caixa com três mil mudas, de Salvador para Londrina, por exemplo, custa aproximadamente R$50,00. (C.C.)

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