Orientações para a produção orgânica
Apesar de ser unanimidade entre produtores de que morango convencional produz mais por pé, recentes pesquisas apontam que a planta orgânica produz a mesma quantidade. O detalhe talvez fique por conta de que o morango adubado com agroquímicos é mais vunerável a doenças. As comparações são do pesquisador Moacir Roberto Darolt, agrônomo da Área de Difusão de Tecnologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Outro engano que muitos cometem, é considerar o morango uma fruta. Botanicamente, o morango é uma hortaliça da família das rosáceas.
Plantar morango natural exige empenho e pode representar bons dividendos, tanto financeiramente quanto ambientalmente. Darolt diz que na plantação de orgânicos não é permitido o uso de agrotóxicos (inseticidas, fungicidas e herbicidas). ''Mesmo adubação química sintética não pode''. Segundo ele, até a água utilizada para irrigação não pode conter contaminantes (químicos e biológicos). Todo tratamento contra pragas e doenças deve ser com produtos naturais. Além disso, o processamento e transporte também deve ser separado do sistema convencional.
O pesquisador informa que o morangueiro é uma cultura exigente em condições físicas e nutricionais do solo. Segundo ele, o fruto produz melhor em solos areno-argilosos, bem drenados, ricos em matéria orgânica e de boa constituição física. ''Em solos mais ácidos é recomendável uma calagem'', acrescenta.
A planta do morangueiro é muito delicada no seu sistema radicular, a maior parte das raízes se concentra na camada superficial do leito de plantio. ''Canteiros altos são mais indicados para o bom desenvolvimento radicular'', dá a receita.
O plantio é realizado de março a julho na região Sul. Planta-se em canteiros com 15 a 30 cm de altura e 0,80 a 1,20 m de largura, num espaçamento entre plantas de 30 x 30 cm, de preferência no final da tarde para facilitar o pegamento. ''O interessante é plantar as mudas em zigue-zague'', declara Darolt, esplicando que este tipo de plantio proporciona melhor aproveitamento do espaço útil. ''Isso permite maior vigor do sistema radicular, o que favorece a nutrição e autodefesa das plantas'', argumenta.
Pragas
O pesquisador diz que o ácaro e os pulgões são as principais pragas do morangueiro. A umidade e a temperatura elevadas facilitam o aparecimento das pragas. ''Se as pragas atingirem poucas plantas, recomenda-se a eliminação dessas plantas''. O ácaro ataca a face inferior das folhas, causando amarelecimento, secamento ou aparecimento de cor pardo-avermelhada.
Segundo ele, o sinal típico da presença dos ácaros é um entrelaçamento de fios de seda, sobre o qual eles vivem. Para o controle, existem alguns produtos que devem ser consultados junto às certificadoras. O controle biológico pode ser feito mediante uma reserva de mato onde existem joaninhas, pode ser uma boa alternativa contra os pulgões.
A rotação de culturas é outra recomendação de Daroult. O morangueiro deve ser retirado do terreno após seu ciclo anual. Não se recomenda o replantio em seguida no mesmo local, nem o uso de plantas da família das solanáceas (tomate, batata, pimentão ou berinjela) que podem transmitir viroses e ataques de fungos as raízes do morango. ''Neste caso, o ideal seria utilizar na rotação um adubo verde ou outra cultura comercial'', destaca Darolt.





