‘‘...falta abrir caminho para os pequenos produtores que são mais tímidos, não têm a vivência comercial, dependem de orientação e apoio do governo’’ - Hans Pauls, técnico da Emater-PR, em matéria publicada pelaFolha de Londrina-Folha do Paraná dia 25/6, a propósito do Seminário da Pequena Agroindústria, que se realizava na Capital.
Pauls tem razão, mas até em setores organizados e experientes em comercialização, como o cooperativismo, tem-se obervado deficiências nessa área. Vendeu mal + pagou o prejuízo = quebrou. Não é diferente no sítio, na grande fazenda ou na cooperativa. Há muitos exemplos de sucesso, mas a realidade é uma falta de informação crônica que tem levado produtores e agroindústrias à insolvência.
Uma das falhas está na identificação de oportunidades, nas receitas milagrosas destinadas à agregação de valor à pequena produção. É comum esse valor ser agregado ao valor que está na outra ponta da linha - o fornecedor de insumos (a semente ou a muda daquele produto que todo mundo quer; a matriz, o reprodutor do animal exótico e caro que poderá na verdade virar isca para peixe...
Em vista disso uma das preocupações da Folha Rural tem sido alertar os produtores para os riscos de uma experiência não validada. É preciso, em primeiro lugar, identificar muito bem o mercado. Tem comprador para meu frango? Tem. Tem comprador para o meu porco, para o meu boi? Tem. Quem é esse comprador? Tem credibilidade? Até quanto posso arriscar, sem ‘‘quebrar’’? Valerá a pena?
Parece conversa de medroso, mas os cartórios estão cheios de títulos emitidos por pessoas empreendedoras que não pensaram duas vezes antes de entrar em negócio novo. Onde estão os criadores de coelhos do Norte do Paraná, que compraram chácaras, construíram instalações e as lotaram de matrizes? E os plantadores de canola, por que desistiram dessa oleaginosa que iria substituir em parte a soja?
A agroindustrialização na propriedade está se expandindo em todo o Estado, facilitada pelos cursos dados, entre outras instituições, pelo Senar em convênio com a Faep; Emater e cooperativas. Vários produtores instalaram miniusinas de produtos lácteos, inclusive leite pasteurizado envasado, e queijos; outros, começaram a fabricar doces. Desses, um dos projetos mais bem sucedidos é de um grupo de lavradores do Norte Pioneiro que fabricam açúcar mascavo e exportam para a Europa e Japão; outros, em regiões diversas, vêm fabricando compotas e outros doces de frutas produzidas no sítio; embutidos cárneos; sucos de frutas; até móveis de taquara já surgiram.
Iniciativas não faltam, dos técnicos ou dos próprios lavradores e pequenos criadores. Mas, além das armadilhas e outras dificuldades na comercialização - o ter para quem vender - as alternativas e/ou complementações de renda trombam com outros obstáculos: as dificuldades criadas pelo próprio governo e sua burocracia - impostos, fiscalização e exigências diversas. Esta foi uma das preocupações dos técnicos e produtores que estiveram reunidos em Curitiba no Seminário da Pequena Agroindústria.
No momento, além disso, a necessidade imediata é orientar os pequenos a respeito de qual seria sua atividade complementar razoável; nível de segurança, retorno possível em relação ao trabalho e ao capital investidos. Iniciativas nesse sentido não faltam, como demonstram a promoção dos muitos cursos no Estado, e o próprio Seminário da Pequena Agroindústria. Este é o caminho: o ensino, a orientação.
O autor é editor da Folha Rural.

mockup