A conquista de condições adequadas para produzir leite de qualidade não é o único resultado da organização dos produtores da região de São José da Boa Vista, no Norte Pioneiro. Nos últimos anos, eles obtiveram também a possibilidade de influenciar na definição dos preços pagos pelo produto na região, interferem e sofrem influência até mesmo do mercado do sudoeste paulista, onde parte de sua produção é entregue.
Volume de produção, qualidade e comercialização foram as metas buscadas pelos pequenos produtores reunidos em projetos realizados por meio de parcerias entre prefeituras, Emater, sindicatos patronais e de trabalhadores, com recursos do Banco do Brasil. Os projetos, iniciados em 1996, são desenvolvidos em São José da Boa Vista, Santana do Itararé, Wenceslau Braz e Sengés, mas acabam alcançando produtores de outros municípios.
De acordo com Domingos Fernando Figueira, veterinário da Emater de São José da Boa Vista, o primeiro projeto fez parte de um plano de desenvolvimento rural do município. Na época foram instalados dois resfriadores e um barracão e comprado um caminhão para o recolhimento do leite nas propriedades.
A estrutura era insuficiente para a demanda e a comunidade - produtores e poder público, Emater e sindicatos - optou pela descentralização do sistema. Foram instalados sete resfriadores comunitários, com recursos do programa Paraná Doze Meses, número que hoje chega a 74.
A estrutura física para o recebimento do leite não é o único objetivo do projeto. ''Queremos capacitar os produtores a produzir com qualidade e isso interfere diretamente na qualidade de vida deles'', afirma Figueira. Tanto que muitos já conseguiram instalar resfriadores próprios e até deixam de entregar o leite na Cooperativa de Agricultores Familiares do Leste Pioneiro (Coflep) para vender para outras empresas. Esses produtores, segundo a Emater, instalaram outros 60 resfriadores.
Segundo o técnico da Emater, a ação coletiva dos produtores transformou a região numa bacia leiteira. No início, os produtores participantes do projeto obtinham 15 mil litros diários de leite; hoje a produção chega a 25 mil litros, além do volume produzido pelos produtores que foram incentivados a investir na atividade em outros municípios. Figueira calcula que a bacia alcance os 50 mil litros diários. A capacitação permitiu que alguns tenham produção entre 800 e 2 mil litros por dia. Os produtores são recompensados pela qualidade e volume. No mês de julho, por exemplo, alguns chegaram a receber R$ 0,81 por litro.
''A região conseguiu se estabelecer como uma reguladora de preços e forma um mercado: interfere na definição dos preços da região e sofre influência e influencia nos valores recebidos até mesmo no sudoeste paulista'', afirma. A busca pelo aprimoramento da atividade, segundo Figueira, é permanente. ''Temos um fórum de discussão sobre qualidade e organização'', completa. (R.C.)

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