Organizações Populares
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de agosto de 2001
Jota Oliveira<BR>De Londrina 
Nos confins da Amazônia vivem algumas das organizações populares mais importantes do Brasil . São tribos indígenas , garimpeiros organizados, produtores rurais e ONGs, pastorais, sindicatos de todo o Brasil, organizações comunitárias das cidades, OAB, organizações universitárias e outras.
Foi na Amazônia, terra de organizações comunitárias, onde a maioria das ONGs que são estrangeiras, européias, americanas e de outras partes do mundo. Mas O há outras, como a famosa Greenpeace, de atuação internacional e que está presente no Brasil. Fora essas, existem ONGS que atuam disfarçadas de Igrejas.
Essas organizações funcionam assim: a organização popular arrecada fundos para os veículos da natureza. Esses fundos vão atender as necessidades das organizações que trabalham na selva.
Organizações populares, por decisão dos grupos de trabalho, incluindo o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra), têm apoio das Igrejas - uma delas possui sede nacional em Itajaí, Santa Catarina; outra vem trabalhando com igual propósito nas invasões organizadas do Paraná. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário revelam, segundo a Folha, que a região Sul, foi a que mais registrou invasões de terras, de maneira organizada, entre janeiro de 1966 e maio/2001. Quando houve 2.102 invasões no País. 34% correspondiam à Região Sul.
Segundo a Federação de Agricultura do Estado do Paraná(FAEP) o Estado tem a maioria das invasões registradas na região Sul. Não se sabe ainda quais são as proporções do Paraná
Foi em Foz do Iguaçu que começou campanha popular contra a privatização da COPEL. A campanha foi se desenvolvendo até chegar, como organização popular, em Curitiba, onde as organizações populares invadiram, entre outras instituições a Assembléia Legislativa. Em Londrina, organizações populares se mobilizaram em plebiscito contra a venda, dia 19/08 da celular Sercontel.
As rádios comunitárias surgiram a exemplo da constatação de que na Amazônia pululavam rádios clandestinas, até no Acre, eram geralmente ligadas a missões religiosas e tinham até emissoras de tevê. Até hoje essa rede funciona por lá.
No Paraná ou qualquer ponto do Oiapoque ao Chuí, no Brasil todo, fervilham rádios clandestinas. No Rio de Janeiro e São Paulo existem tevês clandestinas, e pelo menos uma delas, a de Teodoro Sampaio, uma antiga invasão, ligada ao movimento dos Sem-Terra passou a funcionar.
Em Londrina, uma rádio-pirata teve seus equipamentos cassados e logo voltou a funcionar. O ''radialista'' chegou a dizer que os assaltantes deveriam ser presos. Foi condenado a pagar multa comunitária. Hoje, até um advogado possui rádio-pirata nos cinco conjuntos e faz propaganda disso.
É tão grande o número de tevês e rádios-piratas no País, que o Governo decidiu disciplinar 29 novas ''piratas''. E agora não seleciona lugar, admitindo até uma associação artística de Jataizinho, em Jataizinho, PR, e várias rádios comunitárias no País todo, principalmente na região amazônica, onde elas continuam pululando.
O maior de todos os casos de participação comunitária no País ocorreu em Florestópolis, a cerca de 80 km de Londrina. Ali, a médica Zilda Arns, na presença do arcebispo da época, lançou a campanha do aleitamento materno, que foi exportada para outros países e até outras regiões do mundo. Dom Geraldo Majella, arcebispo na época em Londrina, agora é Cardeal Primaz da Bahia.
Em Florestópolis, mulheres visitavam todos os dias, num trabalho comunitário,
as donas-de-casa, pesavam e mediam as crianças. Esse trabalho de formiguinha deu bom resultado, o sistema foi primeiro exportado para países americanos, depois para a Ásia. E Doutora Zilda, tornou-se divulgadora da ONU, ao ver seu método ser praticado nos países do Leste asiático e este a A Pastoral da Criança está sendo indicada para o prêmio Nobel da Paz.


