Organização faz a diferença na produção de mel
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Produzir, garantir ganhos e agregar valor aos produtos são os desafios de qualquer atividade econômica. Esse preceito está movendo apicultores e melipolinicultores da região de Londrina, que acabam de criar uma cooperativa. A nova entidade tem como objetivo organizar a cadeia produtiva do mel, atendendo as necessidades dos produtores.
A organização dos produtores é determinante para a conquista de um mercado, que exige profissionalização. O produto deve atender as normas dos serviços de inspeção e vigilância sanitária, além ter características que satisfaçam o consumidor, como qualidade e apresentação.
Na Cooperativa de Apicultores e Meliponicultores do Norte do Paraná (Cooamel), a união começa em torno da luta pela implantação de uma casa do mel, local onde deverá ocorrer o processamento do mel, própolis, geléia real e pólen, de acordo com a normatização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Ministério da Saúde. A instalação da casa do mel requer investimentos em torno de R$ 150 mil.
De acordo com Márcio Bernardinelli, empossado como presidente na criação da entidade, hoje a maioria dos produtores trabalha de forma artesanal, o que restringe muito os seus ganhos. ''Como o produtor não tem como processar o mel, vende o produto in natura e o lucro acaba nas mãos dos intermediários'', diz. Atualmente, segundo Bernardinelli, o valor pago ao apicultor não passa de R$ 2,00 o quilo. O preço no varejo é de R$ 13,00.
O Paraná tem um grande potencial para a produção de mel. Com seis mil toneladas ao ano, o estado é o segundo maior produtor, atrás do Rio Grande do Sul, que colhe mais de sete mil toneladas. Com a profissionalização, é possível também atender o mercado externo, que exige qualidade e rastreabilidade.
O produtor londrinense José Capra Verling é um dos que apostam na nova cooperativa. Há sete anos ele buscava apoio e tentou se associar a entidades do setor. ''Por não termos rótulo nem inspeção, temos dificuldade em comercializar o nosso mel'', diz. Ele calcula que se houver dedicação e profissionalização, a produção das 50 colméias que possui poderá passar dos 15 quilos atuais para até 25 quilos ao ano.
Outro que está animado com as novas perspectivas é Carlos Eduardo da Cruz, de Cornélio Procópio, que chegou a pensar de desistir da atividade. Com a organização ele quer ampliar a produção de suas 35 colméias.
Apicultores e meliponicultores reunidos para formnalizar a cooperativa contaram com o apoio do prefeito de Ibiporã, Alberto Baccarin, e do secretário de Agricultura, Diógenes Casagrande, que participaram da solenidade. ''O município dará o apoio necessário à Cooamel'', assegurou o prefeito.
Baccarin afirmou que a apicultura é uma atividade conservacionista e de grande importância aos produtores. Casagrande acrescentou que é uma fonte de renda, principalmente numa região onde há concentração de pequenos produtores.
Segundo os produtores, o apoio do município será importante para viabilizar a casa do mel, que exige a instalação de equipamentos como centrífuga, mesa desoperculadora, decantador, bomba, descristalizador e homogeneizador.


