O pecuarista Antônio José de Oliveira, de Terenos (MS), é um defensor do sistema rotacionado de pasto. Na seca ele dá ao rebanho uma suplementação e minerais. ‘‘O que manda é a boa qualidade do capim. Seja ele qual for, se bem manejado, pode garantir bom alimento ao gado.’’
Oliveira considera que na pecuária quatro itens são fundamentais: pasto de boa qualidade, água, sal mineral e... paz e sossego para engordar. Ele considera que hoje um dos piores erros, além de não considerar esses quatro itens, é a superlotação das pastagens. Ele defende que o sal também não pode ser limitante para os animais e deve estar sempre a vontade no cocho.
Praça de alimentação No manejo da fazenda, cada módulo de piquete de pasto tem uma praça de descanço e alimentação, onde existem cochos com água e sal mineral à vontade, durante o período chuvoso. Na seca o cocho também tem uma suplementação a base de grãos para o rebanho.
Segundo o pecuarista, no manejo tradicional que é adotado pela maioria dos pecuaristas do Mato Grosso do Sul, a lotação de animais tem ficado entre O,8 unidade/animal por hectare até 1 unidade animal por hectare. Com o pastejo rotacionado é possível aumentar a lotação 1,5 a 1,6 ua/ha. ‘‘Transformando em quilos, no sistema tradicional os pecuaristas colocam em torno de 300 kg/ha e, nesse sistema, conseguem 500/550 por ha, com diferencial de ofertar capim de melhor qualidade e preservar pastos e solo, combatendo erosão e degradação do ambiente.’’
Na fazenda, garante Oliveira, o investimento para o rotacionado foi no sentido de dividir a pastagem, fazer encanamento de água e cercado nos córregos, que foram recuperados para ficarem como reserva ambiental, e a implantação de curvas de nível onde havia maior degradação dos pastos.
O resultado obtido por Oliveira é de 7 a 8 arrobas ou 200/240 quilos de peso vivo por ano, ‘‘um ganho de 7 a 8 arrobas/ano a mais de ganho do que no sistema tradicional, que seria de 5 arrobas/ano ou 180 kg/ha/ano. Com isso é possível aumentar o número de animais por hectare e reduzir o tempo dos animais no pasto.’’
O Mato Grosso do Sul, de acordo com Oliveira, tem hoje um rebanho de 24 milhões de cabeças. ‘‘Menos de 1% está enquadrado na produção sustentável, mas a tendência é de crescimento. Ao ver o sucesso do vizinho o pecuarista resistente acaba cedendo.’’
Oliveira é presidente da Associação Sul Matogrossense de Produtores de Novilho Precoce que trabalha com esse manejo e consegue um diferenciamento no pagamento da carcaça bovina. Para quem abate o macho dentro da classificação, recebe atualmente 3% a mais no valor normal de mercado. Esse valor é feito com base na cotação Esalq, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de Piracicaba (SP). ‘‘Outra vantagem é vender fêmeas a preço de boi. Os preços melhores são conseguidos devido a parcerias entre associação, frigorífico e uma grande rede de supermercados, além do apoio da pesquisa.’’ (C.B)

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