Organização dos produtores colhe resultado
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sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A união faz a força e a organização garante o sucesso. Um bom exemplo disso é o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos produtores de São José da Boa Vista (136 km ao sul de Jacarezinho). Coordenado pela Associação Geral dos Produtores Agropecuários (Agepagro), o projeto já envolve 650 famílias que se dedicam a 13 atividades rurais diferentes (classificadas como câmaras técnicas) em que se destacam o leite, feijão, milho, bicho-da-seda, mel, carvão vegetal, frango de corte e açúcar mascavo. O reflexo disso, segundo o secretário de Agricultura do município, Dilceu Bona, é o aumento expressivo na arrecadação agropecuária bruta que saltou de R$ 19 milhões (1997/98) para R$ 38,5 milhões este ano.
Tudo começou em 1997 com um diagnóstico feito pelo Plano Municipal de Desenvolvimento Rural (PMDR) que apontou a necessidade de desenvolver ações que segurassem o produtor no campo. A cidade tem quase 7 mil habitantes e 53% deles vivem na zona rural, são pequenos produtores. A queda na renda e na produtividade, o desestímulo, aliados a outros problemas locais como a falta de estrutura viária e a topografia acidentada do município, estavam promovendo o êxodo rural.''Quando chovia nem carroça saía daqui'', lembra o sericicultor Alaércio Oliveira. Desanimado, Alaércio chegou a abandonar a agricultura e foi embora de São José da Boa Vista para tentar a sorte vida numa cidade vizinha.
As mudanças promovidas no meio rural e os incentivos à agricultura o trouxeram de volta. Há quatro anos ele retomou a propriedade de 4,5 alqueires, trocou o cultivo de milho e feijão pela criação de bicho-da-seda e já consegue um rendimento mensal de R$ 800,00. ''Moro no que é meu e não tenho patrão'', comemora. Além da melhoria nos rendimentos e na qualidade de vida, o sericicultor ainda encontra tempo para fazer ''bicos'' na cidade.
A parceria eficaz entre a prefeitura e a Emater foi fundamental para o sucesso dos projetos. Recursos na ordem de R$ 2 milhões a fundo perdido vindos do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) e Paraná 12 Meses financiaram a construção das estruturas, capacitação dos produtores e investimentos na terra. ''Esse valor hoje, já movimenta mais de R$ 8 milhões'', enfatiza o Secretário.
Bona destaca que os recursos obtidos através do associativismo promoveu melhorias não só na produção. Houve investimentos na melhoria da qualidade de vida da população rural, com moradias, assitência médica, transporte escolar, e proteção de minas e fontes de água.
Os engenheiros agrônomos da Emater, Wagner Mattos Cardoso e Cássio Siqueira Lima, admitem que a organização dos produtores não foi fácil. ''Eles não tinham o pensamento do trabalho em comum que fundamenta a organização'', destacam. além de trazerem o receio de outras experiências associativistas mal-sucedidas. Para conseguir decisões em conjunto, foi formado o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e a Agepagro, responsáveis pela definição das prioridades e do direcionamento dos recursos.
A atividade inicial do trabalho conjunto, segundo Wagner, foi com o leite. O médico veterinário da prefeitura, Domingos Fernando Figueira, especialista em controle de qualidade, foi responsável pela capacitação dos produtores. A equipe local participa do programa regional Qualileite que abasteceu técnicos das prefeituras de 12 municípios do Norte Pioneiro com orientações a respeito da qualidade da produção do leite, alimentação do gado, sanidade do rebanho, melhoramento genético, gestão da propriedade e acompanhamento dos custos. A prefeitura de São José possui uma equipe de inseminação artificial que realiza o trabalho a custo zero para o produtor. Além disso, foram adquiridos 24 resfriadores comunitários que mantém o leite numa temperatura ideal até que ele seja entregue para a indústria.


