A produção de orgânicos cresce no Paraná, mas ainda fica muito abaixo do potencial de consumo. O volume total da safra 2003/04 foi de mais de 66 mil toneladas (t) com um aumento de 27% da produção registrada no período 2002/03 que foi de 52 mil t. ‘‘Temos capacidade de produção e público para consumir muito mais’’, afirma Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de agricultura orgânica da Emater/PR.
  Falta incentivo como linhas de crédito e subsídios para quem está começando agora. ‘‘Com recursos, em três ou quatro anos a nossa produção chegaria entre 200 mil e 250 mil/t/ano’’, calcula. O Norte do Estado, na avaliação de Hamerschmidt, é uma das regiões com grande possibilidade de adesão a este sistema de cultivo.
  Hamerschmidt divide o Norte em três macro regiões, que corresponderiam ao Norte (municípios da região de Londrina), Norte Pioneiro (região de Jacarezinho) e Noroeste ( região de Maringá/Umuarama). Essas regiões foram responsáveis por 12 mil t – menos de 20% da produção. ‘‘É preciso trabalhar com mais ênfase nesses locais onde o sistema tem pouco desenvolvimento’’, avalia.
  A saída do sistema convencional para o orgânico, segundo Hamerschmidt, há duas fases consideradas ‘‘críticas’’. A primeira delas seria o início do período de conversão, em que a produção é muito pequena. A segunda seria a fase de certificação da propriedade – o processo de adoção do selo de garantia da produção orgânica, ‘‘que também custa caro’’, observa.
  O coordenador estadual cita os financiamentos já existentes, como o crédito fundiário. ‘‘São linhas com carência de prazo mas que são adicionados juros. O produtor não teria dinheiro para pagá-los’’, presume. Por isso, ele sugere a criação de um fundo perdido. ‘‘Acredito que nosso governo já está sensibilizado. Ele é ecológico e apoia a agricultura orgânica. Tenho quase certeza que poderemos conseguir esse auxílio’’, diz.
  Falta organizar os produtores. A região de Londrina, por exemplo, possui duas associações de produtores orgânicos, ‘‘mas a produção não cresce, está estagnada’’, lamenta. Ele lembra a participação que a região já possuiu na produção convencional de hortícolas e da característica de grandes consumidores de frutas e verduras da população. ‘‘Basta conscientização e apoio’’, resume.
  Hamerschmidt informa que há importantes inciativas em desenvolvimento, como o trabalho realizado em municípios do Noroeste do Estado. Um programa desenvolvido pela Seab, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/PR) e Sebrae está treinando 500 produtores, 200 deles já estão no sistema de cultivo orgânico. Em 29 municípios estão sendo organizadas também as associações de produtores. ‘‘Em Maringá, verduras orgânicas já podem ser encontradas em feiras livres’’, comemora.
  A falta de uma logística de comercialização encarece os preços. Pelo custo de produção as hortaliças orgânicas teriam condições de ser vendidas a preços menores, iguais ou, ‘‘na pior das hipóteses, até 30% superior às convencionais’’, garante. Na situação atual, Hamerschmidt calcula que nos supermercados, ‘‘devido a ação dos atravessadores essas verduras chegam com preços até 200% mais caro’’.

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