Orgânicos continuam em alta
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
Apesar da soja orgânica ocupar a maior área plantada no País (3.586 hectares e 5.772 toneladas colhidas por 500 produtores), as hortaliças são a principal fonte de renda entre as famílias que cultivam no sistema orgânico. O Paraná tem 1.208 produtores, uma área plantada de 1.231 hectares que produziram 14.633 toneladas na safra passada.
Cerca de 90% da produção paranaense de alimentos orgânicos é feita por pequenos agricultores, com uma média de 2,7 hectares de área plantada por família. A maior parte da produção concentra-se na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e Litoral, mas os produtores do interior se interessam cada vez mais pelo sistema de cultivo.
Na região de Londrina, apesar da pequena área plantada (não existem dados exatos sobre o número de produtores e área cultivada com orgânicos), os que apostaram na agricultura orgânica continuam investindo nas lavouras.
Segundo o agrônomo Gilberto Yudi Shingu a maior dificuldade é o período de transição da lavoura convencional para a orgânica, que pode levar até quatro anos, dependendo da cultura. Neste período os investimentos são grandes e os cuidados com as culturas, bastante específicos. ''Os produtores precisam olhar não só o lado financeiro, mas os benefícios que a lavoura orgânica tem''.
Um dos reponsáveis pela implantação da Fundação Mokiti Okada (FMO), em 1979, Shingu presta consultoria e assistência para produtores que se interessam em iniciar o plantio de orgânicos ou fazer a conversão da lavoura tradicional. ''Cuidamos do cadastro do produtor, proposta orçamentária, além da assessoria por um período mínimo de seis meses''.
A entidade, que no Brasil tem sede no estado de São Paulo, estimula o plantio de orgânicos e trabalha na pesquisa de tecnologias para este sistema de cultivo. Os técnicos da FMO atuam nas áreas de hortaliças, cereais, fruticultura, café, mandioca e animais (neste caso, melhorando o ambiente de criação). Na região, atualmente, são atendidos cerca de 40 produtores (a maioria em processo de conversão), mas os contatos incluem mais de 500 agricultores do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraguai.
Acompanhado pela Fundação desde 2000, quando trocou o cultivo tradicional de mandioca pelo sistema orgânico, o produtor Carlos Mileski Gouveia, de Paranavaí, garante a exportação de toda a produção.
Cultivando uma área de 27 hectares, o produtor espera colher uma média de 30 toneladas de mandioca por hectare, entregues em uma indústria na própria cidade. O produto alcança um preço 30% maior do que o convencional. ''Não foi fácil fazer a conversão. Os cuidados para não contaminar o solo são maiores e todos os produtos têm que passar por certificação''.
A intenção é ampliar a produção de orgânico, cultivando mais dez hectares com hortaliças e figo. A terra já está sendo preparada e o plantio será feito este ano para uma colheita em 2008. ''Aposto no produto orgânico, acredito nele. O investimento compensa, porque estamos conscientes de que além de ajudar o meio-ambiente, estamos ajudando principalmente as pessoas''.


