Orgânico vale mais 30 por cento
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Jota Oliveira 
Terra Preservada, empresa de Curitiba que atua na comercialização de produtos orgânicos, pagou o ágio de 30% sobre o preço de mercado, pelo café de Alfeu Bessa. Quando o negócio foi feito, o preço de mercado era R$185,00 a saca limpa. Bessa vendeu a R$238,50. A certificação de produto orgânico foi concedida pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural, sediado em Botucatu, SP. A diferença positiva de preço deve-se ao aumento da procura de produtos orgânicos e ao grande potencial de exportação.
Assesorada pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento desde sua implantação, aquela é a primeira lavoura de café orgânico certificado de Londrina. A cafeicultura orgânica busca conciliar a produção com a preservação dos recursos naturais de maneira economicamente viável. Com os resultados positivos desse sistema de cultivo, que vão desde livrar os agricultores do uso de venenos até o valor diferenciado na hora da comercialização, a Secretaria da Agricultura e Abastecimento espera aumentar consideravelmente o número de produtores de café orgânico em Londrina.
ValoresAlfeu Bessa tem apenas 1,8 hectare de café orgânico certificado, produzindo há três anos, e está convertendo mais 1 ha convencional em orgânico. O engenheiro agrônomo Cesar Abrahão, da Secretaria Municipal de Agricultura, estima a produtividade atual em três litros por pé, o que corresponde a cerca de 70 sacas beneficiadas por hectare.
Cesar Abrahão calcula que o custo final da produção do café orgânico de Alfeu Bessa ficará abaixo do custo do produto convencional (R$40,00 a R$60,00 a saca), portanto inferior a R$40,00 a saca.
ConversãoEm Londrina outros três cafeicultores estão passando para orgânico; no Norte Pioneiro (município de Abatiá e vizinhos), alguns produtores também estão aderindo à produção orgânica. O cafeicultor convencional pode transformar sua lavoura em orgânica.
André Sahão explica como: deve-se suspender imediatamente o uso de qualquer agrotóxico; a adubação química deve ser bustituída por adubos de origem orgânica, fosfatos naturais, calcário, cinzas e adubos pouco solúveis.
Por enquanto apenas uma empresa, o Instituto Biodinâmico, fornece certificado de produtos orgânicos aceito no Exterior; no mercado brasileiro é aceita também a certificação da Associação de Agricultura Orgânica (A.A.O.), de São Paulo, que segue os mesmos princípios e exigências.
No processo de conversão, a primeira coisa a fazer é proibir realmente, de imediato, qualquer agrotóxico, e substituir as práticas culturais, começando a adotar adubação verde, quebra-ventos, substituir adubação química por orgânica, ter atenção especial no combate à erosão, diz Cesar Abrahão.
A certificação aceita no Exterior é importante, porque está aumentando a procura de café orgânico. O Japão é, no momento, o principal comprador desse produto. No Brasil é pago um ágio que varia de 10% a 40%, para o café orgânico, porém o mais praticado é sobrepreço de 30%. No mercado externo o ágio acompanha os valores do Brasil, mas há informações de cafeicultores orgânicos de Minas que, por serem grandes e negociarem diretamente com os importadores entrangeiros, conseguiram 100% a mais do que o preço do café convencional.


