Orgânico é consciência
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sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Enquanto a família vende as hortaliças na feira do produtor, no sábado de manhã, Rogério Sasaki está no sítio preparando os alimentos, que serão comercializados na feira livre de domingo. A colheita é diária, informa o produtor, que herdou do pai a vocação para a horticultura. ''Na família todo mundo trabalha. Eu cuido da roça e meu irmão das vendas. As mulheres tomam conta da cozinha, no preparo dos alimentos processados'', conta.
A propriedade de 30 mil metros quadrados, localizada no Contorno Sul de Maringá, produz couve, brócolis, alface, beterraba e cenoura orgânicos e já está certificada há quase dois anos. Atendendo a pedidos de clientes, a família investiu no processamento de parte da produção há pelo menos três anos. Hoje, são oferecidos pacotes com couve e repolho picados, cenoura ralada, além de kits para o preparo de yakissoba, que ficam armazenados em câmara fria até a comercialização.
''Apesar da matéria-prima ser certificada, os kits são vendidos como convencionais porque ainda precisamos certificar a cozinha'', explica Sasaki, que vende os alimentos embalados em bandejas pelo dobro do preço. ''Hoje, a margem de lucro com o orgânico gira em torno de 30 a 40%'', diz.
Para o horticultor, o custo da produção orgânica é praticamente o mesmo da convencional, salvo a dedicação diária à lavoura. ''A certificação só foi possível porque fizemos em grupo'', assinala Sasaki. ''Recurso tem, é só pedir ajuda à assistência técnica e correr atrás. É burocrático, mas tem de bater o pé se quiser melhorar de vida'', completa.
Sasaki comemora o sucesso das vendas, mas lamenta não poder atender a demanda, que é crescente. Por mês, calcula, são comercializados R$ 4 mil brutos em hortaliças orgânicas. Essa quantia sustenta três famílias (a dele, a do irmão e a do pai) e ainda quatro funcionários.
''Para complementar a renda, revendemos frutas e legumes importados, como maçã argentina e batatinha, nas feiras livres'', afirma Sasaki. ''Tudo o que ganhamos é reinvestido na propriedade'', complementa o agricultor, afirmando querer expandir a produção em estufas. Hoje, a produção se limita a uma área de 500 mil metros quadrados.
Seguindo os princípios agroecológicos, Sasaki utiliza compostagem certificada na adubação do solo e faz controle biológico de pragas, além de aplicar biofertilizantes e inseticidas biológicos quando é preciso. A propriedade é cercada com napier, que é barreira natural contra insetos, além de servir de quebra-vento. Entre uma horta e outra, o produtor cultiva cravo-de-defunto que, segundo ele, ''é repelente natural e tem um princípio ativo que combate nematóides''.
Para o horticultor, ''o que vale no orgânico é a capacidade do produtor''. ''O cultivo agroecológico envolve mais do que a produção, é um trabalho social. Conserva o solo, rende mais e motiva muito mais o agricultor.''


