A médio prazo haverá no mundo uma queda na produção das principais regiões produtoras e exportadoras do planeta: os estados de São Paulo e da Flórida, nos Estados Unidos. E o Paraná, por sua vez, é um dos principais candidatos a ganhar parte desse mercado, acredita Eduardo Fermino Carlos, pesquisador da área de melhoramento genético do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Para isso, entretanto, será necessário fazer bem feito o dever de casa: cuidar do pomar e verificar de perto a incidência de pragas e doenças. ''Algumas doenças são gravíssimas. No caso do greening será necessário inspecionar e erradicar plantas afetadas imediatamente'', reforça o pesquisador. Para se ter uma ideia, parte da previsão de redução da produção dos estados de São Paulo e Flórida é reflexo da incidência dessa doença.
Conhecedor dos dois mercados - Carlos trabalhou em empresas do setor na Flórida e em São Paulo - ele explica que o estado americano foi atingido por furacões, com impactos direto nos laranjais. Doenças como o greening e o cancro cítrico acabaram sendo disseminadas. Lá, os produtores resistiram à erradicação dos pés porque perderiam tudo. Mesmo assim, foram prejudicados. Atualmente, conforme o pesquisador, os Estados Unidos têm investido cerca de US$ 25 milhões ao ano em pesquisas para controlar o greening.
São Paulo, por sua vez, padece de dificuldades semelhantes com a doença, desde 2004 - principalmente na região central do estado -, e a resistência em erradicar as árvores atingidas pela doença; além de atritos entre produtores e indústria. ''Lá, a doença aumentou muito, mas ainda está mais concentrada na região central'', conta Carlos. O problema, contudo, é visível. O pesquisador relata que, conforme dados do Fundecitrus, em abril de 2009 em 24% dos talhões já havia no mínimo uma planta com greening. Em outubro, o volume havia subido para 29%.
Em 2008, segundo Carlos, São Paulo e Flórida produziram, juntas, 497,7 milhões de caixas (40,8 quilos) de laranja. Foram 367 e 130 milhões de caixas, respectivamente. Em 2009, o total caiu para 478 milhões de caixas, 309 e 168 respectivamente. E a estimativa para 2010 é um total de 445 milhões de caixa, sendo 309 e 136, respectivamente. ''Nota-se uma lacuna em torno de 50 milhões de caixas no futuro'', diz o pesquisador. (E.Z.)

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