O centeio (Secale cereale L.) ocupa o oitavo lugar entre os cereais no mundo, cultivado especialmente no Centro e no Norte da Europa, em climas frios ou secos, em solos arenosos e poucos férteis. Os principais produtores mundiais são Rússia, Polônia, Alemanha, Belarus e Ucrânia, respondendo por 81% da área cultivada, destinando a produção à alimentação humana e animal, além de servir como adubação verde. Na Alemanha, por exemplo, 60% dos pães consumidos são produzidos com farinha de centeio.
  No Brasil, o centeio foi introduzido pelos imigrantes alemães e poloneses no século passado e, até hoje, o cultivo é realizado em grande parte por descendentes de europeus.
  A área de centeio no Brasil diminuiu nas últimas cinco décadas, provavelmente devido a fatores como o subsídio fornecido ao trigo, a extinção de moinhos coloniais de centeio, ao pouco investimento em pesquisa e a incidência de doenças. Contudo, outros motivos podem ter influenciado, como o desenvolvimento de cultivares de trigo mais adaptadas que oferecem ao produtor uma maior rentabilidade econômica, disponibilidade de sementes de trigo, aveia e cevada maior que a de centeio e, finalmente, o fator cultural, em que, muitas vezes, o jovem não absorve na totalidade a linguagem, costumes e tradições de seus pais, influenciado diariamente por inúmeras outras oportunidades ou novidades, diminuindo a possibilidade de manutenção dos valores dos seus antepassados.
  Foram registrados no Brasil aproximadamente 2.600 hectares cultivados com centeio no ano de 2004, com uma produtividade média de grãos de 1.346 kg/ha. Ainda assim, apesar de termos a segunda maior área de cultivo na América do Sul, representamos pouco na totalidade, ficando atrás da Argentina, em que são semeados 57.000 ha, com um rendimento médio de 1.403 kg/ha de grãos.
  O centeio é uma espécie de fecundação cruzada com adaptação a solos pobres, especialmente os arenosos, possuindo sistema radicular profundo e agressivo, característica que lhe permite absorver água e nutrientes indisponíveis a outras espécies.
  Se a intenção de cultivo for alimentação animal e/ou cobertura de solo através da produção de massa verde, a semeadura poderá ser realizada logo após a colheita da soja, no final do mês de março até abril/maio. Apesar desta antecipação de semeadura, o centeio possui grande resistência ao frio quando comparado a outros cereais de inverno, podendo fornecer pastagem de boa qualidade ao gado, principalmente de leite, no período crítico para as outras forragens de inverno. Estas características, e em especial sua grande capacidade de produzir excelente volume de forragem verde palatável, podem ser usadas em sistemas integrados de manejo, rotação, preservação e produção, auxiliando na diversificação, economia e racionalização de esforços nas propriedades rurais no Sul do Brasil.
  Devido a sua rusticidade e grande capacidade de desenvolvimento no inverno, mesmo sob condições moderadas de seca, o centeio pode fornecer grãos para alimentação humana e animal, indústria de destilados, fornecer forragem para feno, silagem, pastoreio e palhada para cobertura de solo, contribuindo para manutenção da matéria orgânica, redução de perdas por erosão e intensificar a penetração e retenção de água no solo.

Alfredo do Nascimento Jr. - é Pesquisador da Embrapa Trigo (Passo Fundo/RS)

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