Parece sensacionalismo, mas esta é uma novidade já comprovada pela comunidade científica. O nome do anticancerígeno é ácido linoleico conjugado (ALC). É um ácido graxo presente na gordura bovina e que, desde 1985, vem recebendo crescente atenção dos pesquisadores por seus efeitos benéficos a saúde.
Inúmeras publicações, incluindo o National Research Council, dos Estados Unidos, não deixam dúvidas de que este ácido graxo é um potente anticancerígeno natural. Aliado a isso, pesquisadores de vários países têm comprovado que o ALC também tem efeitos antiobesidade, com reduções superiores a 50% na gordura corporal de animais receberam este ácido graxo na dieta.
O ALC é encontrado em alimentos de origem vegetal e animal, mas está presente em concentrações muito superiores na gordura bovina. Alguns trabalhos estimam que para se obter os efeitos desejáveis o consumo de ALC deveria ser acima de 400 mg/dia, porém, em média, o consumo é de 200 mg/dia. Em alguns países, já existe até a venda de ALC na forma de cápsulas para o consumo humano.
O ALC estocado na gordura bovina provém da síntese em duas vias possíveis. A primeira, a partir da síntese rumenal, através da ação dos microorganismos envolvidos na degradação da fibra e, a segunda, através da síntese endógena, a partir de ácidos graxos específicos ingeridos na dieta ou produzidos no rúmen.
Já se sabe que, entre outros fatores, o nível de forragem, o fornecimento de lipídios na dieta, a idade e raça de bovinos interagem e podem afetar a concentração de ALC na gordura destes animais.
Neste sentido, pesquisadores do Curso de Medicina Veterinária da UNOPAR, da FMVZ-UNESP, em Botucatu e ESALQ-USP, em Piracicaba, realizaram pesquisa visando aumentar o teor de ALC na gordura de bovinos de corte criados no Sistema Superprecoce, onde logo após o desmame os animais vão para confinamento e são abatidos com 12 a 14 meses de idade. Durante 87 dias em confinamento, 90 bovinos Nelore-Angus receberam dietas contendo diferentes níveis de forragem e semente de girassol como fonte de lipídios. Os animais tiveram um ganho de peso vivo médio de 1,67 kg/dia, foram abatidos com 18 arrobas, e o fornecimento de semente de girassol na dieta resultou em um aumento de 29% de ALC no tecido adiposo subcutâneo.
Estes resultados são muito significativos, mas é importante observar que pesquisadores canadenses já conseguiram aumentar o teor de ALC no tecido muscular em 637%, através de manipulações da dieta de bovinos de corte. O curto período experimental e o baixo teor de fibra ou forragem nas dietas de nosso experimento podem explicar as diferenças de nossos resultados em relação ao Canadá.

* Professor do Curso de Medicina Veterinária da UNOPAR - Arapongas
e-mail: [email protected]

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